quarta-feira, 6 de junho de 2012

A Filosofia versus o Grande Teatro da Sociedade



No presente,os habitantes dos países ditos evoluídos são os que mais necessitam de implementos & complementos para a sobrevivência - a mesma sobrevivência precária dos outros seres inferiores do planeta- resultando no ápice do sucesso dos donos da Grande Manada,o ideal de consumo para todos os demais subdesenvolvidos. A transformação comercial do inútil em imprescindível ficou clara na guerra do Vietnã,onde a diferença de equipamento individual mínimo entre contendores era extrema,sendo que o equilíbrio de forças demonstrado durante os combates expunha o supérfluo dos americanos.

Desviados para a armadilha dos fáceis atalhos desde o nascimento,torna-se difícil retornar à bifurcação dos filósofos em busca da verdadeira qualidade de vida. Convide representantes de diferentes povos e raças para uma simples pescaria:uns trarão o conhecimento de conseguir uma boa isca,escolher o lugar certo;outros,improvisarão;mas outros trarão uma parafernália de equipamentos,inclusive eletrônicos e o resultado geral será praticamente igual. As inutilidades imprescindíveis por sua vez demandam uma série de apoios,provocando quase sempre uma cadeia de problemas a partir de uma simples pane. E nada que se conserte em casa,muito menos no campo e se assim o for será apenas trocas de componentes,gerando mais lucro e dependência das indústrias,que de troca em troca acabam vendendo o mesmo equipamento várias vezes ao mesmo consumidor. Mas o precário e inábil homem moderno já nada consegue realizar sem seus membros e cérebros eletrônicos,escravo voluntário,movido e dependente de pilhas,baterias,energia elétrica,combustível.

No perseguir de um mesmo objetivo,seres humanos trilham por caminhos diversos e quase sempre o tido como mais evoluído é o que mais necessita de ajuda externa para consegui-lo. Porque só é considerado como progresso,o material,não o mental e este só desabrocha com o indivíduo se mantendo afastado do chamado desenvolvimento,eufemismo dado ao comboiar das vítimas para os currais. Quando só,em situações extremas cada vez mais comuns no planeta Terra, quem tem o poder da mente estará equipado,o evoluído estará perdido sem seus apoios extra corpo.

O desenvolvimento material adquirido pelo homem em detrimento do cérebro não lhe deu uma sobrevivência superior aos outros animais,criando em verdade mais chances para ser destruído,explorado. Colocando-se então, despido de tudo o que foi conseguido inutilmente,par a par com os outros seres viventes do planeta,restará um diferencial,o cérebro. E se o caminho material mostrou-se errado,a meta deverá ser o uso do cérebro para a filosofia,o descobrir-se para melhor viver e conviver ou seja, simplificar para evoluir,retornar para progredir, recusar para ganhar... Tentar perceber ações que são simples passagens da torrente e isto diz respeito à modismos,tendências,opiniões globais,diretrizes políticas e sociais.



Verá a inutilidade,o vazio,a superficialidade de tudo. Não há vida humana própria no planeta Terra. Todos participam de uma encenação: O Grande Teatro da Sociedade.



Adaptado de "O Infinito Não Tem Pressa"