domingo, 16 de junho de 2013

16 de Junho de 1967 - Guevara na Amazônia: 20 mortos, 5 feridos.


Che Guevara com sua mania de que era um combatente só criou problemas para os russos e para os americanos que na delicada situação da Guerra Fria, com os dedos nos gatilhos atômicos, não desejavam entornar o caldo, se exterminar e sim ir atraindo pouco a pouco nações para sua esfera. Fidel Castro depois de muitos conselhos ao asmático médico argentino,lavou as mãos e dizem que repassou as coordenadas de Che para os russos que as repassaram aos americanos que repassaram aos bolivianos, que fizeram a limpeza e todos voltaram a guerrear em paz...

O entusiasmado guerrilheiro depois da vitória fácil na bananeira escaramuça contra o decadente ditador Batista em Cuba queria porque queria continuar a revolução internacionalista... Foi pedir armas aos russos, voltou de mãos vazias. Foi para a África sem ser convidado e os próprios rebeldes depois de um mês de constrangimentos o convidaram a se retirar antes que atraísse a atenção do mundo para eles. Resolveu então ir para a América do Sul...

Todos os serviços de segurança ficaram atentos, incluindo o nosso. E há exatos 46 anos,em 16 de Junho de 1967,Guevara conseguiu matar 20 brasileiros na selva amazônica. Bem ao seu estilo, só criando boatos... Alertados sobre um ataque de índios contra a base Aérea de Cachimbo no sul do Pará,em plena selva,os serviços de informação aventaram a hipótese de que finalmente o desaparecido guerrilheiro poderia estar na área, insuflando índios. Uma missão de emergência foi montada e o C-47 FAB 2068 foi enviado para a área,com 25 militares a bordo. A missão é bastante conhecida, com dezenas de artigos e fotos na internet que poderão satisfazer os que buscarem mais detalhes. Com pane nos instrumentos de navegação, a aeronave perdeu-se no arriscado voo noturno e fez um pouso forçado sobre as gigantescas árvores às 04:40hs, despedaçando-se. Ao amanhecer a contagem era de 18 mortos e 7 sobreviventes: Capitão Médico Paulo Fernandes, Tenente Velly, Sargento Botelho, Sargento Barbosa, Cabo Calderara, Cabo Barros e soldado Brito. Onze dias depois de heroica sobrevivência, alguns com fraturas expostas, foram finalmente encontrados, na maior missão de resgate de todos os tempos no Brasil, com cerca de 30 aeronaves envolvidas em mais de 1000 horas de voo! Restavam apenas cinco, Calderara e Barros não resistiram, este último falecendo apenas algumas horas antes de ser resgatado.

Assim era a FAB na Amazônia,produzindo heróis cujos feitos os brasileiros acompanhavam avidamente pelas revistas “O Cruzeiro”, com suas fotos em branco e preto. Ainda no clima desses grandes feitos, ingressei alguns meses depois na gloriosa Força Aérea,em 1968, realizando meu sonho de infância, aprendendo desde cedo reconhecer e distinguir os grandes homens dos pequenos guevaras em busca de fama e sendo comandado por lendas como Brigadeiro Camarão -dos Catalinas- pelo Brigadeiro Motta Paes, piloto de P-47 nos céus da Itália, recebendo instrução do Capitão Guaranys, do Parasar, o primeiro a descer no resgate do FAB 2068... 

Pouco mais de três décadas passadas, já também com minha dose de aventuras, pacato piloto de helicópteros em uma grande firma farmacêutica do interior paulista, cruzava-me sempre na diretoria com um senhor que caminhava com o auxílio de uma bengala e com quem trocava poucas palavras. Depois de meses uma funcionária me presenteou com um livro deste senhor: ”Memórias de um médico de esquadrão”, por Paulo Fernandes. Era um dos heróis de minha juventude, o Capitão Médico Paulo Fernandes,do FAB 2068...