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terça-feira, 24 de julho de 2018

«Мы свой долг выполнили! Ангола: 1975–1992» - "Cumprimos o nosso dever! Angola: 1975-1992 " : a visão russa


"Cumprimos o nosso dever! Angola: 1975-1992 ", de Sergey Kolomnin, editora" Studio "Ethnica. Cerca de 300 páginas com centenas de fotos. Uma obra para historiadores e colecionadores

Recebi por gentileza da União Russa dos Veteranos de Angola este bem elaborado álbum que faz um detalhado historial do que foi a decisiva intervenção soviética naquela ex-colônia portuguesa durante a guerra civil. Os tempos mudam... Os soviéticos tradicionalmente respeitam e honram seus combatentes; nos EUA, veteranos de guerra são tratados como criminosos. Hoje, a fértil e imensa Rússia passou a fazer parte dos sonhos dos fazendeiros boers, sul africanos brancos que estão sendo dizimados por ataques racistas em sua terra; estima-se que 15.000 deles emigrem para as terras dos antigos inimigos na longa guerra de Angola. Enquanto isso nos EUA, terra da liberdade, Trump constrói cercas e separa como gado crianças latinas de seus pais.

Continuo - e assim morrerei- anti comunista, anti socialista ou qualquer coisa que saia do centro rumo ao lado esquerdo, por questão de coerência, já que essas doutrinas, tendências, ideais, embora fantásticas na teoria, partem de uma premissa falsa, a de que somos todos iguais. Não dá para dividir irmãmente as colheitas, sejam de batatas ou dinheiro vivo. A competência individual, honesta ou não, sempre engordará diferentemente os indivíduos.

Os comunistas venceram a guerra de Angola? Sim, ficaram com a glória. E a Wall Street, como sempre, com os lucros. Nada mudou. O dinheiro multiplicado produziu alguns milionários locais e o restante continua a escoar para fora, ideologias à parte. Nós que combatemos, não nos enganamos, sabemos disso. Não importa. Somos guerreiros e naturalmente sempre estaremos nas frentes de combate com a mesma tranquilidade que um padeiro faz seu pão todas as manhãs. Guerras não são entre povos e sim entre nações, suas doutrinas, e interesses de ocasião. Portanto nada impede que admiremos um povo rijo e cultuador de tradições como o russo. Que deram um apoio decisivo, físico, presencial, na Batalha de Kifangondo, que determinou o destino político de Angola. Wall Street apenas observou e mudou algumas letras em seus contratos. Já se esperava. Mas o surpreendente é comparar com a historia político-militar escrita pelos angolanos, com mais heróis que combatentes, com enredos hollywoodianos, onde uma amnésia coletiva faz desaparecer a contundente ajuda soviética nos últimos instantes, quando a capital, Luanda, estava prestes a ser ocupada por nós da FNLA e aliados zairenses, terminando um passeio que começara alguns meses antes, dominando todo o norte do país, praticamente sem oposição. Não foi uma simples ajuda soviética; foi uma ação determinante na vitória, quando seus aliados do MPLA já demonstravam sinais de pânico e ameaçavam abandonar as posições, o que certamente aconteceria quando os obuses G-2 sul africanos começassem a troar. Enquanto os sistemas de lançadores múltiplos de foguetes BM-21 "Grad", soviéticos, chegavam na véspera da batalha em um voo épico, emergencial, vindo da URSS, os EUA se limitavam a nos fornecer caixas de boinas e facas de combate... Fomos varridos com nossas belas boinas vermelhas.

A interessante obra histórica está em cirílico, e seria desejável para os povos de língua portuguesa que a mesma fosse traduzida e colocada comercialmente na Amazon, por exemplo, para se tornar mais acessível. A versão russa precisa ser conhecida no Ocidente, e também valer como um puxão de orelhas nos angolanos, antes portugueses, meninos ingratos nascidos e batizados na noite de 11 de Novembro de 1975. A URSS foi a madrinha, hoje esquecida. A leitura contribuirá para que se comparem as versões e se combata a velha máxima de que "a primeira vítima das guerras é a verdade". As guerras se fazem com dois lados em oposição; a verdadeira história delas, somente com os dois lados em conjunto.

Conheçam:



Acompanham dois DVDs com depoimentos e vídeos únicos, tomados em ação


quinta-feira, 23 de maio de 2013

A opção pela espada - prefácio da 3ª edição


No início da década de setenta tínhamos duas opções políticas claras e em oposição. Escolhi a que melhor representava o modo de vida que herdei de meus antepassados,que ajudaram com a liberdade da democracia,a construir uma Civilização que dava oportunidade para todos em função de sua capacidade de trabalho e não o nivelamento forçado do desejável mas utópico Socialismo. Esta Civilização tinha um inimigo em pleno ataque,porquê esperar que ele viesse à nossa casa,ao nosso País? Por quê não combatê-lo onde quer que estivesse? Com a força de minha juventude,optei pela luta ,optei pela espada...
O nosso planeta estava em plena guerra fria,eufemismo para designar o confronto quente,sangrento entre EUA e URSS,hipocritamente terceirizado e espalhado em dezenas de pequenas guerras aparentemente locais e vivíamos o paradoxo de assistir os EUA enfrentar e imiscuir-se em assuntos internos de aliados. O utopismo,optimismo ingênuo,desconhecimento histórico dos outros povos,faziam com que a administração Kennedy tropeçasse a cada passo dado em nome da autodeterminação dos povos, baseados em um conceito anticolonialista paternal e inconsequente,esquecidos que os EUA eram fruto da dominação colonial. Em busca do apoio africano na guerra fria, a nação mais poderosa da terra resolveu medir forças com países aliados,anticomunistas,mas que ainda mantinham suas colonias em Africa. Financiou e instigou o terrorismo bárbaro contra o colono branco,principalmente em Angola,colonia portuguesa onde,ao modelo das outras possessões lusas,vivia-se em paz e em progresso lento mas contínuo,sem a rapina que caracterizava outras nações colonialistas. O português,desde sempre com as costas voltadas para Europa,quase jogado ao mar pelo onipresente e único vizinho,Espanha,sentia-se mais africano que europeu em seu viver aventureiro, que o levou a construir um Império que chegava até a China.
Salazar,um regente orgulhoso e com profunda noção histórica de Portugal no mundo, reagiu em força quando confrontado com os massacres da UPA de Holden Roberto no norte de Angola,recuperando o território em alguns meses,num notável feito de armas,dada a distância dos eventos e os poucos recursos com que contava. Em África,Ocidente e a Cortina de Ferro se defrontavam,com visível vitoria da URSS,muitas vezes facilitada pela intervenção equivocada de Kennedy. E a guerra colonial portuguesa prolongou-se em três frentes,Guiné,Angola e Moçambique. Eram os valores ocidentais em jogo e foi neste palco de guerra que mergulhei sem pensar nas incongruências políticas,mas disposto unicamente a lutar o verdadeiro combate,destruir o inimigo onde estivesse e ocupar o terreno. Defender minha pátria,Brasil, em África!

Aos 23 anos de idade era piloto militar e paraquedista,mas teria que aprender a lutar com os pés no chão, na Infantaria,se quisesse sobreviver... Lancei-me ao desafio e os anos que se seguiram suplantaram até os meus mais audaciosos sonhos. Da Força Aérea Brasileira a infante na Legião Estrangeira Francesa; de instrutor de Educação Física a chefe de Milícias na guerra colonial em Moçambique; de piloto de observação a comandante de um Grupo Blindado na guerra civil em Angola; de guerrilheiro a instrutor de comandos na Rhodésia; de agente de informações na Espanha a “escritor reacionário” em Portugal... Escapando de ciladas, perseguido como marginal perigoso, tornei-me novamente legionário, desta feita na ilha de Fuerteventura, nas costas do Sahara Espanhol. Era ciclo que se fechava, em oito anos de lutas, em dois continentes, em oito países, sob sete bandeiras.



(do livro A Opção pela Espada ,impresso: Clube dos Autores