quarta-feira, 13 de junho de 2012

Fernando Pessoa & Egas Moniz:mexendo com as cabeças...



Hoje,13 de Junho é aniversário do grande,indiscutível Fernando Pessoa,124 anos,expressão máxima da Língua Portuguesa. Mas como dar o toque azedo do Blog,na sua linha de escárnio e maldizer,falando de um talento irretocável como Pessoa? Falando de Portugal,o pequeno gigante,que hoje anda meio cambaleante. Rima rica. Se no dia 13 nascia Fernando Pessoa,noutro 13 morreu Egas Moniz,o grande neurologista e cientista português,ganhador do Nobel de Medicina em 1949. É,Portugal tem um Nobel! Se bem que os familiares daqueles que foram expostos à descoberta de Egas Moniz tenham posteriormente tentado pegá-lo pelo pescoço e exigiam que fosse anulada a premiação.

Ambos,Pessoa e Moniz mexeram de forma irreversível com a cabeça dos que os conheceram,como leitores ou como pacientes. O primeiro,um magnífico filósofo disfarçado em poeta com sua obra que nos enleva,consola,faz companhia,explica nossas angústias,suaviza os momentos a dois;o segundo,mete a mão dentro do cérebro literalmente,foi o criador da leucotomia,popularmente conhecida como lobotomia,cirurgia com fins psiquiátricos em pacientes mais agitados,onde se isolava os lóbulos frontais,transformando o paciente num verdadeiro zumbi sem qualquer reação emocional. A técnica absurda foi banida uma década depois mas deixando suas vítimas por todo o mundo,a mais famosa delas Rosemary,irmã do presidente dos EUA John Kennedy,que aos 23 anos com a alegação do pai de que era rebelde,foi transformada num vegetal após a intervenção cirúrgica...

Portugal é assim,pão pão,queijo queijo,ou sim ou sopas. Mas ao dar ao mundo um homem como Fernando Pessoa,fica perdoado de todos seus males. E a lobotomia?
-O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade.(F. Pessoa)
Pois!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Arma de fogo individual:a única e efetiva defesa

Nossas cidades estão superpovoadas,as pessoas se espremem umas contra as outras nos transportes públicos,nas calçadas,nos edifícios,numa convivência forçada e irritante pois no reino animal,do qual fazemos parte,é do instinto marcar e defender seu território. Entre os humanos isso acontecia há centenas de anos mas a situação foi se deteriorando,somando à escalada do poder político,do Grande Leviatã,preocupado em manter as rédeas curtas para total domínio da população. O resultado é que caça e caçador,presa e predador convivem nos dias de hoje lado a lado até o mais forte sentir fome ou se sentir ameaçado...

As forças policiais por mais eficientes que sejam,não podem estar em todos os lugares,em todas as horas,daí resultando num trabalho de caça aos criminosos após o ato consumido,a porta arrombada,a vida levada sem retorno. Acrescente-se a isso a incompetência de nossos homens públicos,o cerceamento do trabalho policial em nome de teorias absurdas sobre supostas “vítimas da sociedade”que só beneficiam os agressores e uma incompreensível e inconstitucional ação do Estado em desarmar a população -atentando contra seu direito de defesa- ao mesmo tempo que nega uma proteção mais efetiva.

Só existe uma proteção realmente eficaz,que é aquela que se antecipa ao ato criminoso,que está pronta para inibir ou contra atacar de imediato:a arma individual que cada cidadão tem por direito natural portar como garras artificiais que o defenda contra os predadores em tempo real. Não abra mão da sua. Leis severas,viaturas policiais chegando em disparada e prisões não trazem inocentes mortos de volta à vida...


Dia dos Namorados:declaração de amor no Blog

Embora o Blog seja politicamente incorreto e despreze tais dias de cunho comercial,sinto que devo expressar meu amor,admiração incontestável e profundo agradecimento por aquela que há muito me acompanha,de forma discreta,praticamente desconhecida até pelos amigos. Sem nada pedir,sempre ao meu lado em silêncio mas que nas piores horas,nos momentos que dela precisei não falhou,soube se fazer ouvir bem alto em minha defesa,destemida. Há dois anos apenas que vergonhosamente,só após ser pressionado socialmente é que oficializei nossa união. Estaremos para sempre ligados e assumo como meus todos seus atos,eu e ela somos um par,indissolúvel. Não tenho pudor de declarar,eu a adoro apesar de sua idade,de sua necessidade de cuidados ocasionalmente embora nunca tenha exigido,de seu jeito às vezes explosivo de ser.
Caminharemos junto até que a morte nos separe e tenho certeza que ela nunca me trairá e por minha parte,nenhum vagabundo nela encostará as mãos,nenhuma lei,nenhuma autoridade nos separará!

Te amo minha arminha de fogo!







segunda-feira, 11 de junho de 2012

Idosa reage e mata marginal - a lição de uma cidadã de 86 anos

A notícia da reação bem sucedida de uma cidadã de 86 anos que em defesa de seu lar matou a tiros um marginal CLIQUE espalhou-se a contra gosto pela mídia,não deu para esconder. Nada tenho a acrescentar sobre esse ato em si que deveria ser a normal vitória do bem sobre o mal. Da coragem sobre a covardia. Do bom senso sobre a imbecilidade oficial. Do pleno exercício do direito de cidadão. Parabéns à senhora,que aos 86 anos,com seu gesto,agarra pelo colarinho e dá uma sacudida nos homens de hoje que de joelhos,entre lágrimas pedem clemência enquanto é roubado e sua mulher e filhas são abusadas em sua frente. E ao mesmo tempo dá uma arrasadora rasteira em nossas autoridades em sua sanha criminosa de coibir a posse e porte de armas,com exigências múltiplas de treinamento,exames psicológicos,balelas sobre reflexos,preparação física,tudo visando complicar e manter desarmada a população enquanto o criminoso porta,usa e mata sem licença,sem vergonha e sem medo de punição:

-Idade:86 anos
-Treinamento:nunca atirou anteriormente
-Condicionamento físico:artrite nas mãos,dificuldade para caminhar
-Estado de alerta:estava dormindo quando da invasão
-Ação de defesa:tiro certeiro no alvo maior(peito)
-Ação contínua:verificação do local de impacto,(perto do coração)alvo em movimento,mais dois tiros em sequência para imobilizar a ameaça

Algum especialista tem alguma crítica a fazer do procedimento? Algum jurista iluminado,sobre os dois tiros “a mais”? E para você desarmamentista,que “é da paz” que é ovelha,adepto do “não reagir nunca” e que não defende sua família por covardia o recado desta senhora é bem direto:você não merece ser chamado de homem,de macho protetor,de chefe de família,de pai. Você não passa de um M....

Ficou claro?


domingo, 10 de junho de 2012

Dia da Raça! Enquanto ainda houver lusíadas...

O grande poeta Luís Vaz de Camões que cantou as glórias de Portugal faleceu no dia 10 de Junho de 1580 e essa data foi consagrada como Dia de Camões e de Portugal até 1944 quando Salazar acrescentou Raça, que criou força depois dos trágicos eventos do início da década de 60 no norte de Angola com a eclosão do terrorismo. Passou a ser conhecido como Dia da Raça, onde se homenageava com propriedade a abnegação, o sacrifício da juventude portuguesa que derramava seu sangue em defesa das terras lusitanas em África e da própria Civilização Ocidental, ameaçada pela Cortina de Ferro. Nunca a designação “Raça” significou cor de pele como querem as esquerdas doentias, sempre teve como objetivo a aglutinação dos povos de qualquer cor ou origem, debaixo da bandeira portuguesa que representava uma permanência constante por séculos, formando uma só comunidade pacífica, a Raça Lusíada. E a insistência com que hoje ainda se mantém a cultura lusitana, através da língua, costumes, religião em vários países e enclaves espalhados por todas as partes do mundo comprovam que se rumava para um destino certo e comum.

Portugal de hoje, fraca imagem do que foi, perseguido pelas sombras dos milhares de mortos vítimas dos capitães de Abril, é apenas uma esperança dos verdadeiros patriotas que contam uma história que os governantes querem covardemente apagar. Quase um sonho impossível seu reerguer se continuar nas mãos atuais, uma utopia, uma quimera.




Quimera que nos seus dois sentidos, de animal mitológico e de objetivo utópico, se uniram inadvertidamente na foto acima ao brindar ao lado de nossa bandeira, já que não podia fazê-lo ao lado de meus irmãos em armas do outro lado do Atlântico. Só depois notei a mensagem que ficou dos tristes tempos que ora correm: "do topo de atrevidos mastros que desafiavam os oceanos" agora a bandeira das cinco quinas repousa nas asas de uma quimera, de uma utopia...

Cabe a nós todos o dever -e o direto- de fazê-la retornar ao alto dos atrevidos mastros da História.





sábado, 9 de junho de 2012

Literatura:As Marias invisíveis no nosso cotidiano

O meu conto Maria da Silva -apenas um retrato do cotidiano,está longe de ser um sucesso de vendas na Amazon com razão,pois os leitores fogem da tristeza e querem algo para distraí-los,não para deixá-los depressivos! Mas a verdade está estampada nele sem disfarces e sabemos que ela nos cerca mas a tornamos invisível,como auto proteção. Agora que o texto voltou a ser oferecido para download grátis,não ficarei constrangido em recomendá-lo. Tenho pensado nisso porque uma velha e boa amiga,honesta,cristã,com bons princípios,leu integralmente suas rápidas 84 páginas e as achou absurdas:isso não mais acontece,ninguém mais passa fome,as coisas não são assim,com tudo dando errado do princípio ao fim! Fiquei boquiaberto com sua capacidade de tornar invisível a tragédia humana ao seu redor e deixo aos leitores do Blog o veredito... Abaixo o prefácio,que explica porque saí tanto de meu estilo e assunto.
O conto Maria da Silva simplesmente invadiu minha mente sem pedir licença,sem rodeios ou belas frases. Não é uma bela história...Durante onze dias,dezenas de folhas preenchidas,sem que soubesse o que aconteceria no dia seguinte. Envolvi-me,tinha esperanças,torcia por Maria,a personagem. Fiquei feliz no dia que encontrou outra Maria. Embora as linhas saíssem de minha caneta eu não conseguia mudar ao meu modo,de acordo com as normais e humanas esperanças de final feliz e muitas vezes as lágrimas correram abundantes após a página terminada,com inesperados e brutais acontecimentos. A mão simplesmente deslizava sobre o papel e minha mente não podia intervir,como se tivesse captado algo solto pelo ar que se alojou em meu cérebro e estava sendo expelido como corpo estranho,porque os pensamentos,a vivência,não eram meus. Surpreendi-me com o que escrevi sobre lixo comestível,algo que nunca me passara pela cabeça,nunca experimentara tais situações para que pudesse descrevê-las como um expert.
Não tive tempo de pesquisar nos onze dias que se passaram;ia dormir pensando no que aconteceria pela manhã,como se o drama transcorresse defronte minha casa. Acordava e descia à biblioteca para ver,no papel,o que minha mão iria contar. E aqui está a história completa. Um texto vindo de um espaço outro que o Céu ou Inferno. Diria um lugar de inimigos do Diabo mas dissidentes de Deus,velho ditador contestado com firmeza. Sinto que a obra não é minha,sou apenas o apresentador da mensagem de Maria da Silva. Acredito que se alguns leitores após conhecê-la mudarem,que seja apenas a expressão do olhar para os catadores de lixo – que garimpam o desprezado,não esmolam - a missão a mim confiada pelo acaso terá sido cumprida...

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Ditadura Petista:A mão que afaga o companheiro Evo Morales mata cadete da FAB

O helicóptero Bell 205 em sua versão militar H-1H Iroquois,que ficou conhecido em todo mundo pela sua atuação na guerra do Vietnã e continua após décadas a ser usado em todo mundo por militares e civis é uma máquina robusta que pode ser revitalizada e continuar trabalhando por muito tempo. Mas não para o atual governo brasileiro que apesar da penúria de equipamentos de suas Forças Armadas em plena fase de desmoralização,resolveu doar quatro dessas aeronaves compradas com o dinheiro do povo ao plantador de coca Evo Morales para uso da Força Aérea Boliviana. A mesma Bolívia que regulariza milhares de carros roubados no Brasil,que faz do nosso país um entreposto de sua exportação de droga,que invade instalações da Petrobras.
 
Terça-feira passada,5 de Junho,num Senado vazio,Marta Suplicy leu rapidamente o projeto da Presidência da República autorizando a doação e o deu como aprovado,pois no plenário havia apenas 5 senadores que não se manifestaram nem estavam preocupados com o que se passava. (Clique)




Toda essa liberalidade em relação à Bolívia e a preocupação com o equipamento de sua Força Aérea,ocorreu exatamente no dia do enterro do nosso Cadete Aviador André Rodrigues Silva,de 22 anos,morto na segunda-feira,4, quando se preparava para decolar na Academia da Força Aérea em Pirassununga em um Tucano T-27. (Clique) O assento ejetável foi acionado por motivo a ser esclarecido e lançou o cadete a cerca de 15 metros de altura,atingindo o solo sem abertura do paraquedas. Por que não abriu? Porque esta cadeira ejetável não é “zero/zero”ou seja,não é efetiva se a aeronave estiver sem velocidade e à baixa altura ou no chão. E porque a aeronave não estava equipada com a cadeira “zero/zero”que salvaria a vida do jovem brasileiro,que se dedicou ao serviço da pátria e estava em seu último ano para a formação de oficial da Força Aérea Brasileira? Porque é um modelo muito mais caro. Mas nada que o dinheiro dos helicópteros H-1H,se vendidos,não pudesse pagar...


quinta-feira, 7 de junho de 2012

A favelização de Brasília sob a mira da Unesco

Os consultores da Unesco que estiveram por quatro dias na capital federal detalharam uma série de irregularidades neste Patrimônio Cultural da Humanidade,título pomposo conquistado pela Toca da Corrupção.
Os moços da Unesco alertaram para descoordenação entre o governo da capital e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional,áreas verdes no amarelo,construções irregulares,abandono,desinteresse em conservação. Escreveram tudo na prancheta,assinaram,carimbaram,compraram umas lembrancinhas de índios,algumas coisinhas tipo fui à Brasília,lembrei-me de você e foram embora,prometendo voltar em dois anos. Por sua vez a Secretaria de Habitação do Distrito Federal declarou (clique) que já está adotando medidas em todas as áreas da administração pública para regularizar os pontos observados pela Unesco como a prática e contundente ação de declarar 2012 como o Ano de Valorização de Brasília como Patrimônio Cultural da Humanidade. Assinado e carimbado. Pronto,todo mundo feliz,mãos lavadas e vamos ao whisky com gelo que ninguém é de ferro...

O retrato de Brasília pintado pelos mocinhos da Unesco é a fotografia 3x4 sem retoques do próprio Brasil:ocupação desordenada,desinteresse,falta de conservação e manutenção da infraestrutura,órgãos públicos sem coordenação entre si,medidas pífias para remendar e nunca para prevenir,ação apenas sobre pressão e geralmente com medidas de propaganda para mostrar serviço que não dão em nada,confiando no esquecimento. O país apodrece debaixo de uma pintura às pressas sempre que há uma crítica,uma passada de cal branca no meio-fio na hora do desfile.

A Era Lula deixará sequelas que se um dia voltarmos a ter um regime democrático,com governantes alfabetizados e honestos,praticamente terão de começar do zero,pois a infraestrutura do país caminha para um ponto que não haverá mais conserto,não há atualmente governo e sim um contínuo saquear,um descontrole de órgãos públicos inertes chefiados por apadrinhados políticos sem formação e sem noção,cujo único fito é se dar bem e que se dane o resto. Não é Brasília que está sendo favelizada,é o próprio Brasil. A capital federal não necessita da intervenção da Unesco,necessita,para o bem do país,da intervenção das Forças Armadas,da instalação de uma gigantesca UPP que expulse os criminosos do poder,elimine os traficantes de cargos,os saqueadores das instituições,os estupradores da Constituição e promova a reurbanização da Pátria favelizada...


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Angola:o bombardeio à Rádio Clube de Luanda pela FNLA

Angola,Ambriz,1975. Prédio do Staff dos Comandos Especiais:
- Pedro,tens alguma experiência em bombardeio? -pergunta-me o major,já noite adentro,mapas sobre a mesa.
- Ataque ao solo sim, por quê?
- Vamos fazer mais uma missão das suas

O objetivo seria a Rádio Clube de Luanda, que com sua cantilena de chavões marxistas enchia os ares com mentiras sobre a evolução da guerra. Até a data ainda não reconheciam a queda de Caxito e o povo ignorava que estávamos à 24 quilômetros da Capital! Eu cuidaria do lançamento das bombas em si enquanto Rebelo, um dinâmico e eficiente piloto civil cuidaria do avião, um Cessna 180. As bombas foram confeccionadas na mesma noite e eram dois sacos de estopa com 50 quilos de explosivos plástico,25 quilos cada um. O cordão detonante saía da boca dos sacos em dupla fiação e tinha nas pontas detonadores e cordão lento com iniciadores de tração (puxa-acende). Com o pessoal do major André,especialistas em explosivos,testei cordões semelhantes para ficar com a noção do tempo que teria, 15 segundos apenas,e fui dormir,aproveitar o resto da noite. A missão estava marcada para o nascer do dia e às 07:00 h em ponto deveríamos estar mandando o prédio retransmissor pelos ares.

Quando pela manhã cheguei ao aeroporto, Rebelo já lá estava, a porta do Cessna havia sido retirada bem como as cadeiras, ficando só a do piloto. Colocamos os pesados sacos no espaço deixado pela cadeira da frente,sem os detonadores por precaução. Os ligaria no momento e para isso levava grudadas em minha jaqueta camuflada tiras de fita isolante. Vestindo um arnês de paraquedas, amarrei-o com uma corda de nylon ao interior do avião; se perdesse o equilíbrio, ficaria dependurado. Não esquecera também a pistola automática e uma AK-47 para o caso de sermos derrubados em território inimigo. Decolamos e entramos pelo mar adentro sem ganhar muita altura. No ADF (instrumento de rádio navegação) sintonizamos a emissora inimiga, e o ponteiro indicador nos levaria até precisamente acima da antena do alvo mesmo às cegas, se o tempo estivesse fechado. Mas o dia amanhecera claro e bonito e rasando as águas azuis do oceano, ouvíamos um programa que logo se calaria. Um belo hino foi retransmitido e sob seus acordes e as vozes de um magnífico coral, Luanda surgiu no nosso horizonte. Senti-me arrepiar…

Cuidadosamente comecei a montar os detonadores, ajoelhado ao lado dos sacos, com o vento fustigando minha face e orelhas geladas. Testei minhas amarras e esperei. Via a cidade, eram quase sete horas e em momentos algo se transformaria, algo aconteceria que seus habitantes não podiam prever. Sensação estranha, a de saber que uma coisa mortal, perigosa vai acontecer,porque fazemos parte dela,somos por instantes a mão do destino… Em pleno dia, entramos pela cidade voando a poucos metros acima das cabeças dos soldados inimigos. Tudo passava abaixo de nós, numa sucessão de casas, quartéis, viaturas e pessoas. Rebelo grita:

- Alvo à vista, logo à frente! – e aponta para um prédio térreo, com várias antenas à sua volta.

Peço-lhe que desça mais e assim o faz. Coloco meus pés em um dos sacos e com as mãos agarro os iniciadores de queima. Agora veremos se os explosivos caem mesmo ou se ficarão presos ao estribo ou no montante das asas como temíamos… Rebelo, com os pedais, ajeita o avião para que passe bem acima do telhado, sem fazer manobras bruscas. Calculo a distância, grito que mantenha a linha reta e puxo os cabos dos iniciadores. As fagulhas saem do cordão lento, já não tenho 15, mas 14, 13, 12 segundos, o tempo escoa mas espero, pois acho que cairá antes. Quando minha conta mental passa pelos 10 segundos empurro com toda força das pernas o pesado fardo.

Ufa! Na hora. Creio que nem chegou ao chão, explodiu, lançando nosso avião para cima com sua onda expansiva. Rebelo agarra-se ao manche e recupera o controle,momentaneamente perdido e lá no solo uma nuvem de fumaça cobre um terço do prédio. Nosso rádio deixa de receber o som da emissora, conseguimos calar-lhe a boca! Ainda temos outra “bomba”, peço-lhe que ganhe mais altura para não sermos novamente apanhados pela fôrça da explosão e lanço-a, desta vez aproveitando os 15 segundos integralmente,sem riscos. Vejo-a cair e com o busto para fora da porta, tento fotografar o momento da detonação,uma grande bola de fogo que explode,não no edifício mas numa das torres.

- Vamos embora, para casa! E o Cessna 180 mergulha mais ainda,colando-se às ondas do mar.


Em Ambriz, os comandos que sabiam de antemão do golpe escutavam a Rádio Clube. Às sete em ponto a mesma cessou bruscamente de emitir, provocando uma onda eufórica de vivas no quartel. Com as pernas dependuradas para fora do avião, sobrevoei a cidade,respondendo aos acenos dos colegas que não sabiam se voltaríamos ilesos. Do aeroporto fui direto à casa de Holden Roberto, onde lhe pediram que sintonizasse a rádio inimiga. Não conseguiu e então lhe deram a “notícia. Ficou realmente contente, me abraçou, parabenizando toda a equipe da missão. Durante a noite a rádio Moscou protestou rudemente contra a “escalada da guerra através do uso de aviões para bombardear Luanda”,enquanto que a Rádio Clube,transmitindo através de equipamentos da Emissora Católica,menos potentes que os destruídos,não convencia com a explicação de que “… pela manhã de hoje os habitantes da cidade foram despertados por violentas explosões provocadas por botijões de gásporém sem danos a lamentar”,etc,e passou, na manhã seguinte a colocar no ar avisos que “os lacaios do imperialismo internacional tentaram calar a voz do povo” e ameaças do Estado Maior das FAPLA, que qualquer aeronave sobrevoando Luanda sem autorização seria “implacavelmente abatida”…

Mas nesta mesma data,à noite,voltei à capital com Rebelo e juntos lançamos panfletos sobre o centro da cidade notificando o desenvolvimento da guerra e não sofremos um tiro sequer! Ainda faríamos outras missões,noturnas e diurnas,inclusive passando por entre os mastros dos navios ancorados no porto,lançando panfletos e sempre enganando as FAPLA,vindo do mar ou do sul e o único avião abatido foi do próprio MPLA, por engano...



Do livro"A Opção Pela Espada"





A Filosofia versus o Grande Teatro da Sociedade



No presente,os habitantes dos países ditos evoluídos são os que mais necessitam de implementos & complementos para a sobrevivência - a mesma sobrevivência precária dos outros seres inferiores do planeta- resultando no ápice do sucesso dos donos da Grande Manada,o ideal de consumo para todos os demais subdesenvolvidos. A transformação comercial do inútil em imprescindível ficou clara na guerra do Vietnã,onde a diferença de equipamento individual mínimo entre contendores era extrema,sendo que o equilíbrio de forças demonstrado durante os combates expunha o supérfluo dos americanos.

Desviados para a armadilha dos fáceis atalhos desde o nascimento,torna-se difícil retornar à bifurcação dos filósofos em busca da verdadeira qualidade de vida. Convide representantes de diferentes povos e raças para uma simples pescaria:uns trarão o conhecimento de conseguir uma boa isca,escolher o lugar certo;outros,improvisarão;mas outros trarão uma parafernália de equipamentos,inclusive eletrônicos e o resultado geral será praticamente igual. As inutilidades imprescindíveis por sua vez demandam uma série de apoios,provocando quase sempre uma cadeia de problemas a partir de uma simples pane. E nada que se conserte em casa,muito menos no campo e se assim o for será apenas trocas de componentes,gerando mais lucro e dependência das indústrias,que de troca em troca acabam vendendo o mesmo equipamento várias vezes ao mesmo consumidor. Mas o precário e inábil homem moderno já nada consegue realizar sem seus membros e cérebros eletrônicos,escravo voluntário,movido e dependente de pilhas,baterias,energia elétrica,combustível.

No perseguir de um mesmo objetivo,seres humanos trilham por caminhos diversos e quase sempre o tido como mais evoluído é o que mais necessita de ajuda externa para consegui-lo. Porque só é considerado como progresso,o material,não o mental e este só desabrocha com o indivíduo se mantendo afastado do chamado desenvolvimento,eufemismo dado ao comboiar das vítimas para os currais. Quando só,em situações extremas cada vez mais comuns no planeta Terra, quem tem o poder da mente estará equipado,o evoluído estará perdido sem seus apoios extra corpo.

O desenvolvimento material adquirido pelo homem em detrimento do cérebro não lhe deu uma sobrevivência superior aos outros animais,criando em verdade mais chances para ser destruído,explorado. Colocando-se então, despido de tudo o que foi conseguido inutilmente,par a par com os outros seres viventes do planeta,restará um diferencial,o cérebro. E se o caminho material mostrou-se errado,a meta deverá ser o uso do cérebro para a filosofia,o descobrir-se para melhor viver e conviver ou seja, simplificar para evoluir,retornar para progredir, recusar para ganhar... Tentar perceber ações que são simples passagens da torrente e isto diz respeito à modismos,tendências,opiniões globais,diretrizes políticas e sociais.



Verá a inutilidade,o vazio,a superficialidade de tudo. Não há vida humana própria no planeta Terra. Todos participam de uma encenação: O Grande Teatro da Sociedade.



Adaptado de "O Infinito Não Tem Pressa"