quinta-feira, 29 de março de 2012

Portugal,castelo em ruínas...


Não devia ter recordado Fernando Pessoa,fez-me mal... Em Lisbon revisited,de 1926,não há para nós,”os retornados”como fugir do sentimento de estrangeiro aqui como em toda parte...

Outra vez te revejo,
com o coração mais longínquo,a alma menos minha
Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo
Transeunte inútil de ti e de mim.
Estrangeiro aqui como em toda parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver..."

Por melhor que estejamos hoje,legítimos herdeiros que somos da fibra dos capitães de outrora,heróis das descobertas e conquistas,sem medo de recomeçar seja onde for,muito além da Taprobana se necessário,não nos livramos da sensação de sermos fantasmas a errar em salas de recordações...

Portugal de hoje,Mãe Pátria desnaturada,age como se não tivesse no passado,qual marinheiro destemido mas inconsequente,engravidado territórios nos portos onde atracava,deixado vir à luz países que depois renegou,abandonou,esqueceu.Finge que não conhece o Brasil,filho bastardo mas de quem aceitou por séculos a dádiva de suas ricas terras,o mesmo fez com os filhos de África,Ásia,Oceania... Pior,mesmo com o inegável DNA insistiu,em meados da década de 70,em não reconhecer seus legítimos rebentos quando bateu a porta do Ultramar Português e sem olhar para trás abandonou cinco séculos de casamento oficializado,tratando como estrangeiros na Metrópole europeia aqueles que retornavam ao ninho de origem,retornavam,eram os retornados,agora estrangeiros em Portugal como em toda parte...

Tornamo-nos fantasmas a errar em salas de recordações,ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem no castelo tornado maldito pelos Capitães de Abril...

Nunca esqueceremos mas nem deixaremos que nos esqueçam. A conta,que um dia será cobrada pela História,já está sendo cobrada pela Economia,sem as dádivas dos filhos renegados...


PL 1557/07:mais um ataque covarde à propriedade rural.

Do MVB – Movimento Viva Brasil,recebemos o preocupante e-mail abaixo:
PRODUTORES RURAIS PODERÃO PERDER O DIREITO DE DEFESA E SUAS TERRAS
Tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei que põe diretamente em risco a defesa e a propriedade de imóveis rurais no país. Trata-se do PL 1557/07, em iminência de entrar em pauta de votação e que tem por objetivo regulamentar a expropriação de glebas onde houver milícias armadas, definidas na própria proposta como “toda associação, organização ou reunião de pessoas armadas, de qualquer forma, paramilitar ou não, inclusive oriunda de empresas de segurança, independente da finalidade ou objetivo”.
Sem esforço, nota-se que o projeto – verdadeiramente absurdo – deixa completamente desprovidas de segurança as propriedades rurais, pois que sequer empresas especializadas serão admitidas para sua preservação. E além de impedir que proprietários rurais defendam suas terras, o PL ainda prevê a expropriação “sem qualquer indenização aos proprietários e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei”, violando o constitucionalmente consagrado direito à propriedade privada.
A proposta, mais uma vez, demonstra que ninguém está a salvo da horda desarmamentista, que inverte de forma assustadora os valores de nossa sociedade, rasga nossa constituição e tripudia do nosso ordenamento jurídico.
A autoria do PL é do Deputado Ivan Valente, conhecido defensor do MST. O relator será o deputado Enio Bacci, ao qual enviaremos, nos próximos dias, farto material para que ele peça a imediata rejeição da proposta.

*****

Caminhamos a passos largos para a Grande Cuba. Todos os projetos de lei absurdos,inconstitucionais,usurpadores,que buscam de forma hipócrita e covarde o amparo,a máscara de uma pretensa lei aprovada democraticamente,não são ações isoladas de algum parlamentar extremista,trata-se de um plano longamente preparado,há muito sonhado,da extinção da propriedade privada,da formação de milícias populares que substituam as Forças Armadas,do total domínio do país por uma ditadura marxista.

Como bem notou o Prof.Bené Barbosa,presidente do MVB,querem se apropriar de terras alheias e sem indenização,mesmo se a proteção das mesmas estiver sendo efetuada dentro das leis vigentes,com empresas de segurança legalizadas! Um total absurdo;é exigir que mantenhamos as portas de nossas casas abertas para que os marginais entrem sem correrem quaisquer riscos! Ora,se é permitido e legalizada a existência de Empresas de Segurança privadas,não se pode impedir que elas trabalhem dentro de sua finalidade! Posso,como cidadão,contratá-las para que defendam minha casa,minha família,minha propriedade rural!

A canalhice,o despudor dos donos do poder é tamanha,que ao descrever o que consideram ilícito,descrevem seu próprio braço armado,sua própria milícia,treinada por terroristas das FARC,o MST:toda associação, organização ou reunião de pessoas armadas, de qualquer forma, paramilitar ou não, inclusive oriunda de empresas de segurança, independente da finalidade ou objetivo”. Não é porventura,o MST uma horda que se reúne,portando armas brancas ostensivas e de fogo,dissimuladas,com a finalidade de praticar ilícitos,promover o caos no campo,como bem demonstram posteriores condenações na justiça por atos de violência,roubo,depredação,assassinatos?

Se assim não é considerado pela ditadura petista,que façamos nós um “movimento social”também,com o objetivo plenamente justificável de proteção ao trabalho no campo,de proteção ao local de trabalho e que aja limpando rapidamente o terreno quando este estiver sendo obstruído por acampamento de invasores do MST,usando rigorosamente os mesmos métodos tolerados pelo governo:invasão dos acampamentos,armados com as permitidas foices,pedaços de pau,enxadas,facões,com “companheiros" estrategicamente distribuídos com armas de fogo escondidas(de preferência com calibres da polícia)e com o uso de violência necessária,expulsar,ocupar,destruir. E solicitar a proteção policial para que não haja represália dos atacados...

Acordem brasileiros! A ditadura marxista perversa,violenta,que tentou anteriormente se apoderar do poder mas foi facilmente derrotada pela armas de nossas aguerridas -na época- Forças Armadas,hoje covardemente vai instalando paulatinamente seu mecanismo de domínio,de escravidão fantasiada de plena liberdade do povo,em ações dissimuladas como a PL 1557/07,que o combativo MVB corretamente considera uma proposta que inverte de forma assustadora os valores de nossa sociedade, rasga nossa constituição e tripudia do nosso ordenamento jurídico.


sexta-feira, 23 de março de 2012

Morteiro 60,o trunfo de pequenos grupos de infantaria

Foi postado no Facebook um vídeo interessante em termos de aprendizado militar,mas com o título e comentários em sua maioria equivocados e aqui vou procurar de maneira sucinta,dirimir as dúvidas a respeito desta importante e respeitável arma de apoio à Infantaria,que no caso abaixo provavelmente foi manuseado com o cartucho deteriorado ou com umidade. Assistam:


A granada de morteiro possui -via de regra e países de origem- normalmente 3 etapas de segurança que precisam ser cumpridas para que ela exploda ao tocar o alvo,geralmente solo ou edificações. Sem estas etapas a granada pode ser lançada de grande altura e não explodirá,muito menos na pífia trajetória de meio metro do vídeo acima. Em Angola,com um pequeno avião,lancei sobre a praia de Ambriz uma granada de morteiro 60 sem o grampo de segurança e atada a duas granadas de mão,cujos pinos um colega retirou no momento do lançamento. Nada aconteceu com a munição de 60 que atingiu o solo e permaneceu intacta,sem detonar,mesmo com a queda e a explosão das granadas.

Por que? A grosso modo,porque faltaram duas etapas a serem cumpridas:o percussor para ser armado necessita vencer uma mola que o mantém em segurança e isso só ocorre por inércia,força da gravidade,quando a granada bate no percutor do fundo do tubo e este conjunto de pancada mais impulsão pela detonação do cartucho faz com que o peso do dispositivo comprima a mola. Essa ação também libera o último dispositivo de segurança,um pino transversal que deslizará tocando as paredes internas do tubo e só será totalmente expulso quando a granada tiver saído,ou seja,mesmo que a ponta do tubo seja obstruída a granada impactará mas não explodirá. Sem essas etapas,somente uma forte pancada na base da munição -já sem o grampo de segurança- pode,embora não garantido,liberar estes dispositivos e ela estará sensível ao impacto em sua ponta.

O morteiro é uma arma segura,fácil de manejar,mortífero e faz a diferença em um combate de infantaria,principalmente o pequeno “60”,que pode ser usado sem a placa de apoio,aparelho de pontaria e o bipé,facilitando o transporte e diminuindo seu peso em dois terços. Basta distribuir a segura munição entre os componentes do grupo,usar o solo como placa,os braços como bipé e o instinto como aparelho de pontaria...


quarta-feira, 21 de março de 2012

Causos:A cara vaidade feminina e a inesperada multa por sua falta...


Estava a rir sozinho de um causo em que o bem e o correto levaram uma rasteira. Sempre digo que as mulheres,se descritas por um alienígena,assemelhariam a um indígena em pé de guerra:pinturas berrantes,vermelho nos lábios e faces,pós prateados,riscos nos olhos,pele repuxada e presa na nuca como a bolsa escrotal de certos índios que a prendem na cintura(não com sutura cirúrgica das plásticas,mas com um cipó)balangandãs vários em torno do pescoço,perfurando as orelhas,artefatos nos cabelos multicolores,até mesmo o antinatural azul,etc,etc,tudo para driblar -sem sucesso- o passar do tempo. Mas vá,lá,disfarça razoavelmente e os homens e a sociedade aceitam e mutuamente se deixam enganar.

Já as mulheres com mais personalidade desprezam estes artifícios e envelhecem com dignidade,cabelos prateados e rugas descrevendo em pormenores cada golpe do destino,sem eufemismos mas com as alegrias passadas ainda presentes indelevelmente nos olhos. O preço pago é receberem um crachá invisível de velhas senhoras das amigas de mesma idade e serem deixadas de lado,pois a companhia pode denunciar o disfarce da contemporânea...

Quem seria mais feliz,quem vive mais leve? Aposto nas originais,sem aditivos.

Mas,como nem sempre o bem ou o bom vencem,a este preço às vezes juntam-se algumas cobranças extras no carnê da vida,quase sempre involuntariamente por parte do cobrador. Uma amiga minha e sua prima,de uma família de belas mulheres admiradas e disputadas em sua época,depois de décadas de ausência voltaram para visitar a antiga propriedade rural de seus avós. O tempo cobrira de neve os cabelos da prima e escrevera em traços profundos a história decorrida em sua face. Nenhuma maquiagem,nenhuma plástica ou disfarce no viver alegre e voltado para a religião,enquanto minha amiga,da mesma idade,produzia-se com a normal vaidade feminina,maquiagem,cabelos tingidamente dourados,batom,brincos e colares,unhas impecáveis...

O velho peão,vivendo longe do politicamente correto de nossa falsa sociedade,logo reconheceu a neta do patrão na bela senhora loira,fez-lhe festas,emocionado. E minha amiga,apontando para a prima:
-Seu Zé,não está reconhecendo?
-Não...
-É a Eliana!
Seu Zé ficou sério,fixando o olhar na velhíssima senhora à sua frente,foi com certo e visível esforço nos olhos semicerrados reconhecendo os traços que surgiam aqui e ali quase apagados naquele rosto,lembranças da linda moçoila de narizinho arrebitado que meio século atrás brincava no terreiro de café,foi ficando boquiaberto e exclamou sincero,direto,"na lata" em claro e bom som,separando demoradamente cada sílaba:
-Dona Eliana?!! Que Juu-Diii-Aaa-ÇÃO!!!


terça-feira, 20 de março de 2012

Brasil libertado:sai Castello Branco e entra Rodovia Cesare Battisti?

Ontem deparei-me em um jornaleco do interior paulista,um artigo com um título categórico,direto:  Ditadores e torturadores não podem ser nomes de ruas  e  segue:"Rodovia Castello Branco, elevado Costa e Silva, rua Dr. Sergio Fleury, avenida Presidente Médici e por aí vai. O Brasil é uma das poucas democracias do mundo que não só deixa tiranos impunes, como os homenageia em praça pública. Boa iniciativa para a Comissão da Verdade seria propor a mudança imediata de tais nomes."

Brilhante! Um artigo que lembra aqueles panfletos mimeografados dos tempos de estudante,comparando nossos governantes militares com Hitler,Mussolini mas esquecendo-se de citar Lênin,Stalin,que dariam com certeza mais ênfase. Uma ideia simplista e que termina com o conselho: banir os nomes de gente dessa laia dos logradouros públicos é um bom passo para se consolidar a democracia.

Consolidar a democracia é trocar nomes de ruas,estradas e avenidas? Não seria melhor que a incompetente esquerda ora instalada no poder consolidasse a democracia deixando de fraudar eleições,deixando de comprar votos com vales paternalistas e medidas populistas danosas ao país,combatendo a incrível corrupção nunca antes vista em tal escala? Permitir através de medidas efetivas o ir e vir dos cidadãos com segurança,hoje impedidos pela violência de exercer esse mais elementar direito da tal democracia consolidada? Consolidar a democracia não seria deixar que os cidadãos mantenham em suas casa armas para defesa da família ao invés de tentar por todos os meios,constitucionais ou não,desarmá-los,transformá-los em criminosos por exercerem o sagrado direito de defesa do lar? Consolidar a democracia não seria respeitar a Anistia permitida pelo governo militar que possibilitou que os atuais governantes exercessem livremente sua execrável política e não insistir na vingança através da Comissão unilateral da “Verdade”?
  
A Rodovia Castello Branco é um acinte? Não é politicamente correto?
Vamos então falar na mesma língua: e a Anhanguera,Raposo Tavares,os caçadores e matadores de índios? Atenção minorias indígenas,protestem contra esse absurdo! Via Anchieta? E o Estado Laico? Por que não Via Edir Macedo por exemplo,muito mais influente que o jesuíta? Vamos,como países africanos libertos do colonialismo,derrubar estátuas? Renomear revolucionariamente logradouros públicos com nomes alienígenas – Avenida Karl Marx? Praça Che Guevara? Rodovia Cesare Battisti? De acordo com a ideologia no poder? Trocou o governo troca tudo novamente? Entendo que é uma ação típica,folclórica da esquerda fútil e carnavalesca,mas também é danosa,não só historicamente,mas tecnicamente e financeiramente:mudança de endereços,novas notas fiscais,alteração em listas telefônicas,CEP,placas,mapas,uma enorme confusão
que dura mais ou menos o tempo do governo apodrecer internamente,cair e o próximo retirar tudo novamente,trocar,renomear. Isso também tem nome,que não dá para trocar:populismo bobo...


segunda-feira, 19 de março de 2012

A morte de Aziz e o legado de Saber

O geógrafo,pesquisador,cientista Aziz Nacib Ab'Saber faleceu sexta-feira passada,16. Sua morte e sua longa vida de inestimáveis serviços prestados ao Brasil estão sendo fartamente noticiados com profundidade na imprensa e não é preciso aqui se estender sobre o assunto. Mas é dever de todo cidadão render homenagens a um brasileiro ímpar e a minha será à moda da casa.

Filho de um mascate libanês,criado na roça,ingressou na USP onde enquanto estudava também -a exemplo de nossos intelectuais- acumulava um cargo público:o de jardineiro da universidade. Pois logo cedo,no início de carreira,começava a dar com sua honestidade de propósitos,capacidade de trabalho e simplicidade,puxões de orelha aos nossos arrogantes acadêmicos...

Como geógrafo entusiasmado conheceu o Brasil como ninguém e a partir desse conhecimento socio geográfico pode participar efetivamente do desenvolvimento de ideias e ações. Sabia o que falava,conhecia o solo onde pisava e se tornou referência em tudo o que se referia ao impacto resultante do binômio homem-ambiente físico. Acreditando no Homem,acreditava na colaboração cientistas-movimentos sociais em busca de soluções práticas e colaborou com o PT e Lula confiando em suas palavras,o que se transformaria rapidamente em frustração quando da chegada ao poder e a esperada implementação das promessas petistas no campo ambiental,que nunca se concretizaram. Não se tornou um “mangabeira unger” e se afastou do governo não amenizando críticas aos absurdos perpetrados por Lula,como o crime da transposição do São Francisco,entre outros. "Seu profundo conhecimento da geografia e seu compromisso inabalável com o povo brasileiro foram fonte de inspiração para todos nós",disse Lula em seu elogio fúnebre. Esqueceu-se de completar que o compromisso inabalável com o povo brasileiro- que Lula e o PT nunca tiveram – foi o que levou o grande professor a se afastar do governo.

Também em âmbito internacional,graças aos seus profundos conhecimentos,não temia discordar dos modismos de cientistas e ambientalistas superficiais,como a histeria do aquecimento global,cujas previsões de impactos estavam baseadas em pressupostos equivocados, resultando em diagnósticos consequentemente inválidos.

Dificilmente o Brasil produzirá outro homem igual em termos de honestidade,humildade,capacidade profissional,inteligência e entusiasmo para usar tais atributos para o bem de seu país,mesmo porque há muito fabricamos “intelectuais” e diplomas em série,prontos para marchar e louvar o próprio ego,o bolso e a ideologia reinante e não a ciência como instrumento prático,como uma pá de jardineiro,coisas de um filho de mascate...


sexta-feira, 16 de março de 2012

Eu,feitor linha dura e a colheita do algodão em Moçambique


Recém saído de uma breve e tumultuada passagem pela Legião Estrangeira,aos 24 anos de idade estava transbordando energia e confiança quando cheguei,em 1973,ao Marrere,Nampula,na região centro norte de Moçambique,na época uma província de Portugal. Enquanto aguardava o início das aulas na Escola de Professores onde seria instrutor de Educação Física,fui colocado para cuidar da colheita do algodão realizado pelas meninas macuas do internato das freiras,que fazia parte do complexo religioso.

Sob o sol forte e sem abrigo do campo de algodão,a produtividade era mínima quando assumi o comando da numerosa turma feminina,com idade média,suponho,de uns 15 anos. Tagarelice contínua,risadas sem fim,cantigas típicas,na rotineira alegria africana. Muteko,trabalho mesmo,nada. Eu,o Mukunha,me achando o grande chefe branco resolvi colocar em prática meus dotes de comando com vigilância cerrada e exigência de produtividade mínima;quem não cumpria as metas voltava ao campo e continuava até completar o peso que estipulara. Não era fácil para as pobres meninas,que contavam os minutos para retornar à liberdade numa idade tão indócil. Mais indócil ainda era eu,que não conseguia entender e ser flexível e logo o trabalho penoso para elas se tornou mais triste,mais suado,sem risos e canções.

Mas a produtividade rapidamente subiu e ultrapassou qualquer média anterior e orgulhoso apresentava para o superior da missão meus dados diários. Os que contestavam que estava sendo duro demais acabaram se calando quando a alegria e as cantigas paulatinamente voltaram ao campo.

Me considerava um líder severo mas amado,pois as meninas eram todas gentis comigo -compreenderam que eu era justo,pensei- e principalmente na hora da pesagem quando decidia quem voltaria ao campo,elas me cercavam alegres e comemoravam os resultados -agora sempre superiores ao mínimo estabelecido- com aplausos e danças. E o grande chefe branco sorria junto,entusiasmado com sua própria capacidade de liderança,até que finda a colheita chegou a hora de ensacar o produto a granel amontoado no canto do grande armazém,para ser vendido.

Minha arrogância e confiança desceram abaixo do mínimo que eu estabelecera quando a “produtividade recorde” se transformou em um amontoado de pedras e grandes torrões de terra misturados ao algodão que,espertamente,haviam sido escondidos pelas meninas dentro dos sacos de colheita para completar com folga o peso mínimo! Toda a festa que faziam à minha volta na pesagem era para me distrair,enquanto outras subiam até o topo do monte para despejar os sacos recheados longe de minha vista...

Hoje sorrio ao recordar e fico feliz que as engenhosas meninas não se tenham deixado amargurar num período tão precioso da adolescência vivida em grupo,longe das famílias. Um grande,apertado abraço do Mukunha brasileiro a vocês,meninas do Marrere,que -merecidamente- fizeram-me de bobo!


quinta-feira, 15 de março de 2012

Tribunal Penal Internacional ocioso:sobrou para o Lubanga


O Tribunal Penal Internacional,criado em Haia,na Holanda em 2002 em caráter permanente para julgar crimes de guerra e outros derivados e afins,finalmente -para justificar as verbas- deu seu primeiro veredito,condenando é claro um africano... Clique. Acusação:recrutar meninos para guerra na bagunçada República Democrática do Congo,ex Zaire do Mobutu Sesse Seko,ex Congo Belga,da secessão do Katanga,do Lumumba,de Kolwezi,onde também existiu o Estado Livre do Congo,território particular do europeu Rei Leopoldo II que o explorava,escravizava e matava a seu bel prazer. E aí os vizinhos de muro da Bélgica,em Haia,vem encher o saquinho do Thomas Lubanga por seguir uma tradição secular em África e que se levada a sério,teria,por justiça,de prender e condenar todos os líderes africanos,sem exclusões!

O simplista TPI que julga somente indivíduos e não Estados está apenas servindo para alguns países africanos espertamente se livrarem de inimigos internos enquanto a justiça cega nem aponta a bengala branca para as malcriações dos meninos fardados das grandes potências,mesmo porque algumas assinaram mas não ratificaram e outras vetaram o tal TPI,um tribunal absurdo.

O que estão fazendo é tentar substituir a justiça alheia,erroneamente,com resultados injustos,pois cada povo sabe como julgar seus cidadãos e os julga de acordo com seus costumes e visão de vida em sociedade. As leis não são universais,não podem ser genéricas no planeta,um homicídio no interior do Quênia ou na Suécia,embora atinjam um ser humano e o sangue derramado seja da mesma cor,a noção de certo ou errado,do Bem ou Mal,da escala da ofensa e da motivação são totalmente distintas.

Tenho certeza que em África a maioria ficou boquiaberta com o julgamento e a sentença:só por isso? Não pode mais? Por que? Como a defesa alegou,soldados meninos é uma prática habitual,não se vê crime neste ato!Os pomposos europeus depois de estimularem a violência por séculos em África para proveito próprio agora vão dar uma de juízes de costumes tribais? Com que direito? Menores de 15 anos? E de 15 anos e seis meses pode?  Um ato ilegal em guerra? Mas guerra é legal? É legal,patriótico,honroso o Estado convocar pacatos pais de família que se deixarão matar no primeiro embate? Oras!

Teatro! Encenação! Arrogância de velhos europeus decadentes!


domingo, 11 de março de 2012

Geisel e a invasão cubana em Angola

Volta e meia leio espalhado por aí ou me enviam textos sobre a ajuda brasileira à Cuba,quando da invasão de Angola. Até mesmo o excelente Olavo de Carvalho sempre volta ao assunto com uma certeza que ultrapassa qualquer bola de cristal:”Tanto foi assim que, quando o governo Geisel deu sua virada à esquerda, adotando uma política nuclear antiamericana, estimulando o mais obsceno“terceiro mundismo” na diplomacia e até fornecendo armas, dinheiro e assistência técnica para Fidel Castro invadir Angola, não se ouviu um protesto sequer das lideranças civis." (Olavo de Carvalho em Porque a direita sumiu )

“Armas,dinheiro e assistência técnica”? Eu estava lá ao lado da FNLA e acredito pelo que vi,vivi,escutei,se trata de ficção,ou no mínimo de exagero. Em relação à Angola em 1975/76,a posição do governo brasileiro foi a de sempre em matéria de relações internacionais,seja por parte do governo militar de direita,dito ditadura ou da atual ditadura de esquerda,dita democracia:em cima do muro,fazer média com todos os lados e tentar ganhar alguma coisinha depois,nem que seja um amistoso tapinha nas costas. Política de país moleque com complexo de inferioridade,que não quer desagradar os países adultos. E por isso mesmo não foram recebidos como confiáveis:

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A invasão cubana em 1975/76 foi realizada como uma mudança de favelados,de imigrantes ilegais latinos tentando entrar nos EUA,sem grandes recursos financeiros,tipo “vão lá e se virem”confiando na ingenuidade inesperada e surpreendente de Henry Kissinger que acreditou plenamente na conversa fiada dos soviéticos e paralisou qualquer ajuda efetiva a Holden Roberto e Savimbi,deixando Agostinho”Copos”Neto livre para se vender . Porque política internacional não tem nada de sofisticado,quando fecham-se as portas vira conversa de bar de periferia:Henry,meu camarada,prometemos que os soviéticos não interviriam. E cubanos não são soviéticos!
Voos charter com a Aeroflot,lotação máxima,comida fria. Adiantando o serviço enquanto não chegava o pessoal espremido como sardinhas em lata nos velhos barcos cargueiros que lentamente se arrastavam no Atlântico:

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O Brasil efetivamente enviou uma parca ajuda “física” para todos os lados mas nunca li uma linha a respeito que traduzisse a realidade que vivenciei. E no estilo cubano:”vão lá e se virem” agravado com o típico toque da política brasileira: “e ser der errado,não temos nada com isso”...


Brasil!



sexta-feira, 9 de março de 2012

Os muçulmanos e o nosso mundo de infiéis

Recebi por e-mail(autor desconhecido) e achei relevante porque profundamente verdadeiro:

Os muçulmanos não estão felizes
· Eles não estão felizes em Gaza.
· Eles não estão felizes na Cisjordânia.
· Eles não estão felizes em Jerusalém ..
· Eles não estão felizes no Egito.
· Eles não estão felizes na Líbia.
· Eles não estão felizes na Argélia.
· Eles não estão felizes em Tunis ...
· Eles não estão felizes em Marrocos.
· Eles não estão felizes no Iêmen.
· Eles não estão felizes no Iraque.
· Eles não estão felizes no Afeganistão.
· Eles não estão felizes na Síria.
· Eles não estão felizes no Líbano.
· Eles não estão felizes no Sudão.
· Eles não estão felizes na Jordânia ...
· Eles não estão felizes no Irã.

Onde os muçulmanos estão felizes?

Eles estão felizes na Inglaterra.
Eles estão felizes na França.
Eles estão felizes na Itália.
Eles estão felizes na Alemanha.
Eles estão felizes na Suécia.
Eles estão felizes na Holanda.
Eles estão felizes na Dinamarca.
Eles estão felizes na Bélgica.
Eles estão felizes na Noruega.
Eles estão felizes em U.S.A.
Eles estão felizes no Canadá.
Eles estão felizes na Romenia.
Eles estão felizes na Hungria.
Eles estão felizes na Austrália.
Eles estão felizes na Nova Zelândia.
Eles estão felizes em qualquer outro país no mundo que não está sob um governo muçulmano.

E quem eles culpam?

· Não o Islam.
· Não a liderança deles.
· Não a si mesmos.

Culpam os países onde estão vivendo livremente e bem. Isso é tão verdadeiro ... A democracia é realmente boa para eles:

Em uma democracia que eles podem viver confortavelmente, aproveitar a alta qualidade de vida que eles não construíram e nem trabalharam para ter. Podem manter seus costumes, desobedecem às leis, exploram os serviços sociais, fazem paródias de nossa política e de nossos tribunais. Geralmente, mordem a mão que os alimenta.

A questão é contraditória, paradoxal ! Eles tentam trazer seu sistema de vida e querem transformar os países que os acolheram no país que abandonaram em busca de uma vida melhor.
Dá pra entender?