sexta-feira, 23 de março de 2012

Morteiro 60,o trunfo de pequenos grupos de infantaria

Foi postado no Facebook um vídeo interessante em termos de aprendizado militar,mas com o título e comentários em sua maioria equivocados e aqui vou procurar de maneira sucinta,dirimir as dúvidas a respeito desta importante e respeitável arma de apoio à Infantaria,que no caso abaixo provavelmente foi manuseado com o cartucho deteriorado ou com umidade. Assistam:


A granada de morteiro possui -via de regra e países de origem- normalmente 3 etapas de segurança que precisam ser cumpridas para que ela exploda ao tocar o alvo,geralmente solo ou edificações. Sem estas etapas a granada pode ser lançada de grande altura e não explodirá,muito menos na pífia trajetória de meio metro do vídeo acima. Em Angola,com um pequeno avião,lancei sobre a praia de Ambriz uma granada de morteiro 60 sem o grampo de segurança e atada a duas granadas de mão,cujos pinos um colega retirou no momento do lançamento. Nada aconteceu com a munição de 60 que atingiu o solo e permaneceu intacta,sem detonar,mesmo com a queda e a explosão das granadas.

Por que? A grosso modo,porque faltaram duas etapas a serem cumpridas:o percussor para ser armado necessita vencer uma mola que o mantém em segurança e isso só ocorre por inércia,força da gravidade,quando a granada bate no percutor do fundo do tubo e este conjunto de pancada mais impulsão pela detonação do cartucho faz com que o peso do dispositivo comprima a mola. Essa ação também libera o último dispositivo de segurança,um pino transversal que deslizará tocando as paredes internas do tubo e só será totalmente expulso quando a granada tiver saído,ou seja,mesmo que a ponta do tubo seja obstruída a granada impactará mas não explodirá. Sem essas etapas,somente uma forte pancada na base da munição -já sem o grampo de segurança- pode,embora não garantido,liberar estes dispositivos e ela estará sensível ao impacto em sua ponta.

O morteiro é uma arma segura,fácil de manejar,mortífero e faz a diferença em um combate de infantaria,principalmente o pequeno “60”,que pode ser usado sem a placa de apoio,aparelho de pontaria e o bipé,facilitando o transporte e diminuindo seu peso em dois terços. Basta distribuir a segura munição entre os componentes do grupo,usar o solo como placa,os braços como bipé e o instinto como aparelho de pontaria...


quarta-feira, 21 de março de 2012

Causos:A cara vaidade feminina e a inesperada multa por sua falta...


Estava a rir sozinho de um causo em que o bem e o correto levaram uma rasteira. Sempre digo que as mulheres,se descritas por um alienígena,assemelhariam a um indígena em pé de guerra:pinturas berrantes,vermelho nos lábios e faces,pós prateados,riscos nos olhos,pele repuxada e presa na nuca como a bolsa escrotal de certos índios que a prendem na cintura(não com sutura cirúrgica das plásticas,mas com um cipó)balangandãs vários em torno do pescoço,perfurando as orelhas,artefatos nos cabelos multicolores,até mesmo o antinatural azul,etc,etc,tudo para driblar -sem sucesso- o passar do tempo. Mas vá,lá,disfarça razoavelmente e os homens e a sociedade aceitam e mutuamente se deixam enganar.

Já as mulheres com mais personalidade desprezam estes artifícios e envelhecem com dignidade,cabelos prateados e rugas descrevendo em pormenores cada golpe do destino,sem eufemismos mas com as alegrias passadas ainda presentes indelevelmente nos olhos. O preço pago é receberem um crachá invisível de velhas senhoras das amigas de mesma idade e serem deixadas de lado,pois a companhia pode denunciar o disfarce da contemporânea...

Quem seria mais feliz,quem vive mais leve? Aposto nas originais,sem aditivos.

Mas,como nem sempre o bem ou o bom vencem,a este preço às vezes juntam-se algumas cobranças extras no carnê da vida,quase sempre involuntariamente por parte do cobrador. Uma amiga minha e sua prima,de uma família de belas mulheres admiradas e disputadas em sua época,depois de décadas de ausência voltaram para visitar a antiga propriedade rural de seus avós. O tempo cobrira de neve os cabelos da prima e escrevera em traços profundos a história decorrida em sua face. Nenhuma maquiagem,nenhuma plástica ou disfarce no viver alegre e voltado para a religião,enquanto minha amiga,da mesma idade,produzia-se com a normal vaidade feminina,maquiagem,cabelos tingidamente dourados,batom,brincos e colares,unhas impecáveis...

O velho peão,vivendo longe do politicamente correto de nossa falsa sociedade,logo reconheceu a neta do patrão na bela senhora loira,fez-lhe festas,emocionado. E minha amiga,apontando para a prima:
-Seu Zé,não está reconhecendo?
-Não...
-É a Eliana!
Seu Zé ficou sério,fixando o olhar na velhíssima senhora à sua frente,foi com certo e visível esforço nos olhos semicerrados reconhecendo os traços que surgiam aqui e ali quase apagados naquele rosto,lembranças da linda moçoila de narizinho arrebitado que meio século atrás brincava no terreiro de café,foi ficando boquiaberto e exclamou sincero,direto,"na lata" em claro e bom som,separando demoradamente cada sílaba:
-Dona Eliana?!! Que Juu-Diii-Aaa-ÇÃO!!!


terça-feira, 20 de março de 2012

Brasil libertado:sai Castello Branco e entra Rodovia Cesare Battisti?

Ontem deparei-me em um jornaleco do interior paulista,um artigo com um título categórico,direto:  Ditadores e torturadores não podem ser nomes de ruas  e  segue:"Rodovia Castello Branco, elevado Costa e Silva, rua Dr. Sergio Fleury, avenida Presidente Médici e por aí vai. O Brasil é uma das poucas democracias do mundo que não só deixa tiranos impunes, como os homenageia em praça pública. Boa iniciativa para a Comissão da Verdade seria propor a mudança imediata de tais nomes."

Brilhante! Um artigo que lembra aqueles panfletos mimeografados dos tempos de estudante,comparando nossos governantes militares com Hitler,Mussolini mas esquecendo-se de citar Lênin,Stalin,que dariam com certeza mais ênfase. Uma ideia simplista e que termina com o conselho: banir os nomes de gente dessa laia dos logradouros públicos é um bom passo para se consolidar a democracia.

Consolidar a democracia é trocar nomes de ruas,estradas e avenidas? Não seria melhor que a incompetente esquerda ora instalada no poder consolidasse a democracia deixando de fraudar eleições,deixando de comprar votos com vales paternalistas e medidas populistas danosas ao país,combatendo a incrível corrupção nunca antes vista em tal escala? Permitir através de medidas efetivas o ir e vir dos cidadãos com segurança,hoje impedidos pela violência de exercer esse mais elementar direito da tal democracia consolidada? Consolidar a democracia não seria deixar que os cidadãos mantenham em suas casa armas para defesa da família ao invés de tentar por todos os meios,constitucionais ou não,desarmá-los,transformá-los em criminosos por exercerem o sagrado direito de defesa do lar? Consolidar a democracia não seria respeitar a Anistia permitida pelo governo militar que possibilitou que os atuais governantes exercessem livremente sua execrável política e não insistir na vingança através da Comissão unilateral da “Verdade”?
  
A Rodovia Castello Branco é um acinte? Não é politicamente correto?
Vamos então falar na mesma língua: e a Anhanguera,Raposo Tavares,os caçadores e matadores de índios? Atenção minorias indígenas,protestem contra esse absurdo! Via Anchieta? E o Estado Laico? Por que não Via Edir Macedo por exemplo,muito mais influente que o jesuíta? Vamos,como países africanos libertos do colonialismo,derrubar estátuas? Renomear revolucionariamente logradouros públicos com nomes alienígenas – Avenida Karl Marx? Praça Che Guevara? Rodovia Cesare Battisti? De acordo com a ideologia no poder? Trocou o governo troca tudo novamente? Entendo que é uma ação típica,folclórica da esquerda fútil e carnavalesca,mas também é danosa,não só historicamente,mas tecnicamente e financeiramente:mudança de endereços,novas notas fiscais,alteração em listas telefônicas,CEP,placas,mapas,uma enorme confusão
que dura mais ou menos o tempo do governo apodrecer internamente,cair e o próximo retirar tudo novamente,trocar,renomear. Isso também tem nome,que não dá para trocar:populismo bobo...


segunda-feira, 19 de março de 2012

A morte de Aziz e o legado de Saber

O geógrafo,pesquisador,cientista Aziz Nacib Ab'Saber faleceu sexta-feira passada,16. Sua morte e sua longa vida de inestimáveis serviços prestados ao Brasil estão sendo fartamente noticiados com profundidade na imprensa e não é preciso aqui se estender sobre o assunto. Mas é dever de todo cidadão render homenagens a um brasileiro ímpar e a minha será à moda da casa.

Filho de um mascate libanês,criado na roça,ingressou na USP onde enquanto estudava também -a exemplo de nossos intelectuais- acumulava um cargo público:o de jardineiro da universidade. Pois logo cedo,no início de carreira,começava a dar com sua honestidade de propósitos,capacidade de trabalho e simplicidade,puxões de orelha aos nossos arrogantes acadêmicos...

Como geógrafo entusiasmado conheceu o Brasil como ninguém e a partir desse conhecimento socio geográfico pode participar efetivamente do desenvolvimento de ideias e ações. Sabia o que falava,conhecia o solo onde pisava e se tornou referência em tudo o que se referia ao impacto resultante do binômio homem-ambiente físico. Acreditando no Homem,acreditava na colaboração cientistas-movimentos sociais em busca de soluções práticas e colaborou com o PT e Lula confiando em suas palavras,o que se transformaria rapidamente em frustração quando da chegada ao poder e a esperada implementação das promessas petistas no campo ambiental,que nunca se concretizaram. Não se tornou um “mangabeira unger” e se afastou do governo não amenizando críticas aos absurdos perpetrados por Lula,como o crime da transposição do São Francisco,entre outros. "Seu profundo conhecimento da geografia e seu compromisso inabalável com o povo brasileiro foram fonte de inspiração para todos nós",disse Lula em seu elogio fúnebre. Esqueceu-se de completar que o compromisso inabalável com o povo brasileiro- que Lula e o PT nunca tiveram – foi o que levou o grande professor a se afastar do governo.

Também em âmbito internacional,graças aos seus profundos conhecimentos,não temia discordar dos modismos de cientistas e ambientalistas superficiais,como a histeria do aquecimento global,cujas previsões de impactos estavam baseadas em pressupostos equivocados, resultando em diagnósticos consequentemente inválidos.

Dificilmente o Brasil produzirá outro homem igual em termos de honestidade,humildade,capacidade profissional,inteligência e entusiasmo para usar tais atributos para o bem de seu país,mesmo porque há muito fabricamos “intelectuais” e diplomas em série,prontos para marchar e louvar o próprio ego,o bolso e a ideologia reinante e não a ciência como instrumento prático,como uma pá de jardineiro,coisas de um filho de mascate...


sexta-feira, 16 de março de 2012

Eu,feitor linha dura e a colheita do algodão em Moçambique


Recém saído de uma breve e tumultuada passagem pela Legião Estrangeira,aos 24 anos de idade estava transbordando energia e confiança quando cheguei,em 1973,ao Marrere,Nampula,na região centro norte de Moçambique,na época uma província de Portugal. Enquanto aguardava o início das aulas na Escola de Professores onde seria instrutor de Educação Física,fui colocado para cuidar da colheita do algodão realizado pelas meninas macuas do internato das freiras,que fazia parte do complexo religioso.

Sob o sol forte e sem abrigo do campo de algodão,a produtividade era mínima quando assumi o comando da numerosa turma feminina,com idade média,suponho,de uns 15 anos. Tagarelice contínua,risadas sem fim,cantigas típicas,na rotineira alegria africana. Muteko,trabalho mesmo,nada. Eu,o Mukunha,me achando o grande chefe branco resolvi colocar em prática meus dotes de comando com vigilância cerrada e exigência de produtividade mínima;quem não cumpria as metas voltava ao campo e continuava até completar o peso que estipulara. Não era fácil para as pobres meninas,que contavam os minutos para retornar à liberdade numa idade tão indócil. Mais indócil ainda era eu,que não conseguia entender e ser flexível e logo o trabalho penoso para elas se tornou mais triste,mais suado,sem risos e canções.

Mas a produtividade rapidamente subiu e ultrapassou qualquer média anterior e orgulhoso apresentava para o superior da missão meus dados diários. Os que contestavam que estava sendo duro demais acabaram se calando quando a alegria e as cantigas paulatinamente voltaram ao campo.

Me considerava um líder severo mas amado,pois as meninas eram todas gentis comigo -compreenderam que eu era justo,pensei- e principalmente na hora da pesagem quando decidia quem voltaria ao campo,elas me cercavam alegres e comemoravam os resultados -agora sempre superiores ao mínimo estabelecido- com aplausos e danças. E o grande chefe branco sorria junto,entusiasmado com sua própria capacidade de liderança,até que finda a colheita chegou a hora de ensacar o produto a granel amontoado no canto do grande armazém,para ser vendido.

Minha arrogância e confiança desceram abaixo do mínimo que eu estabelecera quando a “produtividade recorde” se transformou em um amontoado de pedras e grandes torrões de terra misturados ao algodão que,espertamente,haviam sido escondidos pelas meninas dentro dos sacos de colheita para completar com folga o peso mínimo! Toda a festa que faziam à minha volta na pesagem era para me distrair,enquanto outras subiam até o topo do monte para despejar os sacos recheados longe de minha vista...

Hoje sorrio ao recordar e fico feliz que as engenhosas meninas não se tenham deixado amargurar num período tão precioso da adolescência vivida em grupo,longe das famílias. Um grande,apertado abraço do Mukunha brasileiro a vocês,meninas do Marrere,que -merecidamente- fizeram-me de bobo!


quinta-feira, 15 de março de 2012

Tribunal Penal Internacional ocioso:sobrou para o Lubanga


O Tribunal Penal Internacional,criado em Haia,na Holanda em 2002 em caráter permanente para julgar crimes de guerra e outros derivados e afins,finalmente -para justificar as verbas- deu seu primeiro veredito,condenando é claro um africano... Clique. Acusação:recrutar meninos para guerra na bagunçada República Democrática do Congo,ex Zaire do Mobutu Sesse Seko,ex Congo Belga,da secessão do Katanga,do Lumumba,de Kolwezi,onde também existiu o Estado Livre do Congo,território particular do europeu Rei Leopoldo II que o explorava,escravizava e matava a seu bel prazer. E aí os vizinhos de muro da Bélgica,em Haia,vem encher o saquinho do Thomas Lubanga por seguir uma tradição secular em África e que se levada a sério,teria,por justiça,de prender e condenar todos os líderes africanos,sem exclusões!

O simplista TPI que julga somente indivíduos e não Estados está apenas servindo para alguns países africanos espertamente se livrarem de inimigos internos enquanto a justiça cega nem aponta a bengala branca para as malcriações dos meninos fardados das grandes potências,mesmo porque algumas assinaram mas não ratificaram e outras vetaram o tal TPI,um tribunal absurdo.

O que estão fazendo é tentar substituir a justiça alheia,erroneamente,com resultados injustos,pois cada povo sabe como julgar seus cidadãos e os julga de acordo com seus costumes e visão de vida em sociedade. As leis não são universais,não podem ser genéricas no planeta,um homicídio no interior do Quênia ou na Suécia,embora atinjam um ser humano e o sangue derramado seja da mesma cor,a noção de certo ou errado,do Bem ou Mal,da escala da ofensa e da motivação são totalmente distintas.

Tenho certeza que em África a maioria ficou boquiaberta com o julgamento e a sentença:só por isso? Não pode mais? Por que? Como a defesa alegou,soldados meninos é uma prática habitual,não se vê crime neste ato!Os pomposos europeus depois de estimularem a violência por séculos em África para proveito próprio agora vão dar uma de juízes de costumes tribais? Com que direito? Menores de 15 anos? E de 15 anos e seis meses pode?  Um ato ilegal em guerra? Mas guerra é legal? É legal,patriótico,honroso o Estado convocar pacatos pais de família que se deixarão matar no primeiro embate? Oras!

Teatro! Encenação! Arrogância de velhos europeus decadentes!


domingo, 11 de março de 2012

Geisel e a invasão cubana em Angola

Volta e meia leio espalhado por aí ou me enviam textos sobre a ajuda brasileira à Cuba,quando da invasão de Angola. Até mesmo o excelente Olavo de Carvalho sempre volta ao assunto com uma certeza que ultrapassa qualquer bola de cristal:”Tanto foi assim que, quando o governo Geisel deu sua virada à esquerda, adotando uma política nuclear antiamericana, estimulando o mais obsceno“terceiro mundismo” na diplomacia e até fornecendo armas, dinheiro e assistência técnica para Fidel Castro invadir Angola, não se ouviu um protesto sequer das lideranças civis." (Olavo de Carvalho em Porque a direita sumiu )

“Armas,dinheiro e assistência técnica”? Eu estava lá ao lado da FNLA e acredito pelo que vi,vivi,escutei,se trata de ficção,ou no mínimo de exagero. Em relação à Angola em 1975/76,a posição do governo brasileiro foi a de sempre em matéria de relações internacionais,seja por parte do governo militar de direita,dito ditadura ou da atual ditadura de esquerda,dita democracia:em cima do muro,fazer média com todos os lados e tentar ganhar alguma coisinha depois,nem que seja um amistoso tapinha nas costas. Política de país moleque com complexo de inferioridade,que não quer desagradar os países adultos. E por isso mesmo não foram recebidos como confiáveis:

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A invasão cubana em 1975/76 foi realizada como uma mudança de favelados,de imigrantes ilegais latinos tentando entrar nos EUA,sem grandes recursos financeiros,tipo “vão lá e se virem”confiando na ingenuidade inesperada e surpreendente de Henry Kissinger que acreditou plenamente na conversa fiada dos soviéticos e paralisou qualquer ajuda efetiva a Holden Roberto e Savimbi,deixando Agostinho”Copos”Neto livre para se vender . Porque política internacional não tem nada de sofisticado,quando fecham-se as portas vira conversa de bar de periferia:Henry,meu camarada,prometemos que os soviéticos não interviriam. E cubanos não são soviéticos!
Voos charter com a Aeroflot,lotação máxima,comida fria. Adiantando o serviço enquanto não chegava o pessoal espremido como sardinhas em lata nos velhos barcos cargueiros que lentamente se arrastavam no Atlântico:

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O Brasil efetivamente enviou uma parca ajuda “física” para todos os lados mas nunca li uma linha a respeito que traduzisse a realidade que vivenciei. E no estilo cubano:”vão lá e se virem” agravado com o típico toque da política brasileira: “e ser der errado,não temos nada com isso”...


Brasil!



sexta-feira, 9 de março de 2012

Os muçulmanos e o nosso mundo de infiéis

Recebi por e-mail(autor desconhecido) e achei relevante porque profundamente verdadeiro:

Os muçulmanos não estão felizes
· Eles não estão felizes em Gaza.
· Eles não estão felizes na Cisjordânia.
· Eles não estão felizes em Jerusalém ..
· Eles não estão felizes no Egito.
· Eles não estão felizes na Líbia.
· Eles não estão felizes na Argélia.
· Eles não estão felizes em Tunis ...
· Eles não estão felizes em Marrocos.
· Eles não estão felizes no Iêmen.
· Eles não estão felizes no Iraque.
· Eles não estão felizes no Afeganistão.
· Eles não estão felizes na Síria.
· Eles não estão felizes no Líbano.
· Eles não estão felizes no Sudão.
· Eles não estão felizes na Jordânia ...
· Eles não estão felizes no Irã.

Onde os muçulmanos estão felizes?

Eles estão felizes na Inglaterra.
Eles estão felizes na França.
Eles estão felizes na Itália.
Eles estão felizes na Alemanha.
Eles estão felizes na Suécia.
Eles estão felizes na Holanda.
Eles estão felizes na Dinamarca.
Eles estão felizes na Bélgica.
Eles estão felizes na Noruega.
Eles estão felizes em U.S.A.
Eles estão felizes no Canadá.
Eles estão felizes na Romenia.
Eles estão felizes na Hungria.
Eles estão felizes na Austrália.
Eles estão felizes na Nova Zelândia.
Eles estão felizes em qualquer outro país no mundo que não está sob um governo muçulmano.

E quem eles culpam?

· Não o Islam.
· Não a liderança deles.
· Não a si mesmos.

Culpam os países onde estão vivendo livremente e bem. Isso é tão verdadeiro ... A democracia é realmente boa para eles:

Em uma democracia que eles podem viver confortavelmente, aproveitar a alta qualidade de vida que eles não construíram e nem trabalharam para ter. Podem manter seus costumes, desobedecem às leis, exploram os serviços sociais, fazem paródias de nossa política e de nossos tribunais. Geralmente, mordem a mão que os alimenta.

A questão é contraditória, paradoxal ! Eles tentam trazer seu sistema de vida e querem transformar os países que os acolheram no país que abandonaram em busca de uma vida melhor.
Dá pra entender?


Thoreau,o Brasil Petista e os militares de madeira

Henry Thoreau,considerado pai do anarquismo,sintetizou em seu ensaio “A desobediência Civil”os sentimentos do homem a respeito dos governos e governantes. Nada vou acrescentar ou comentar,sou apenas um cidadão que procurou viver e servir ao Estado como Homem e não como um espantalho ou um boneco de madeira. Abismado com o nivelamento à lama de nossos homens em armas,apenas irei citar abaixo algumas frases do célebre pensador -os negritos são meus- fora da ordem de sua publicação,mas suficientes para que os que pretendem servir à Pátria com sua consciência,meditem:
Todos reconhecem o direito à revolução, ou seja, o direito de recusar lealdade ao governo e de opor-lhe resistência quando sua tirania ou sua ineficiência tornam-se insuportáveis. No entanto, quase todos dizem que não é o caso no momento atual.

...quando sua tirania ou sua ineficiência tornam-se insuportáveis

Todas as máquinas têm seu atrito e talvez isso faça com que o bom e o mau se compensem. De qualquer modo,seria bastante nocivo fazer muito alvoroço por causa disso. Mas quando o atrito chega ao ponto de controlar a máquina e a opressão e o roubo se tornam organizados,digo que não devemos ficar presos a tal máquina.
A grande maioria dos homens serve ao Estado não na sua qualidade de homens, mas sim como máquinas,com seus corpos. Eles são o exército permanente, a milícia, os carcereiros, os policiais,os membros da força civil,etc. Na maior parte dos casos não há qualquer livre exercício de escolha ou de avaliação moral; ao contrário, estes homens nivelam-se à madeira, à terra e às pedras; e é bem possível que se consigam fabricar bonecos de madeira com o mesmo valor de homens desse tipo. Não são mais respeitáveis do que um espantalho ou um monte de lama. Valem tanto quanto cavalos e cachorros. No entanto, é comum que homens assim sejam apreciados como bons cidadãos. 

 e é bem possível que se consigam fabricar bonecos de madeira com o mesmo valor de homens desse tipo. 

Há outros, como a maioria dos legisladores, políticos, advogados, funcionários e dirigentes, que servem ao Estado principalmente com a cabeça, e é bem provável que eles sirvam tanto ao Diabo quanto a Deus – sem intenção - pois raramente se dispõem a fazer distinções morais. 

...raramente se dispõem a fazer distinções morais

Há um número bastante reduzido que serve ao Estado também com a sua consciência; são os heróis, patriotas, mártires, reformadores e homens, que acabam por isso necessariamente resistindo mais do que servindo e o Estado trata-os geralmente como inimigos.

Há um número bastante reduzido que serve ao Estado também com a sua consciência

Escolham seu lado.


quinta-feira, 8 de março de 2012

Cóbue,Niassa:os túmulos de Eleonora e Charlotte

Cóbue,vila moçambicana às margens do Lago Niassa,em contato visual com Malawi e próxima à fronteira da Tanzânia me traz boas lembranças, é o local de meu batismo de fogo em 02 de Agosto de 1974, combate rápido mas emocionante, dois homens contra um grupo oito vezes maior, (estimado pela informação militar da área, 2 grupos de 8 terroristas), boa proporção... Mantivemos a posição. O ideal é sempre mais forte que ideologias estranhas seguidas automaticamente sem maior profundidade...

Quartel de Cóbue

Mas este fato (facto para os patrícios) já é conhecido,estava aqui a recordar alguns mistérios que sempre me atraem, perdidos no tempo em que se encontram. E fui ao Google Earth dar uma olhada na região e tive mais surpresas. O grande aquartelamento onde me alojava, que antes de ser ocupado por mim o fora pelos fuzileiros especiais e antes destes pelos missionários,está claramente abandonado, com as telhas e madeiramento saqueados para a construção das palhoças africanas e a bela igreja, incendiada pelos terroristas durante a guerra, assim permanece, somente as fortes paredes em pé.

O grande edifício, como Missão religiosa e depois como quartel

Na foto de satélite, refiz visualmente o caminho de décadas atrás, quando sozinho, único branco num raio de dezenas de quilômetros em território hostil, sai do quartel, passei pela igreja semi destruída e fui descendo em curva para um pequeno grupo de árvores,coladas ao barranco, lugar escuro, sombreado e agradável, isolado. Penetrei na vegetação em busca de vestígios de observadores inimigos e também de granadas e munições desviadas por milícias para caçar e pescar. Mas encontrei dois túmulos!

Cóbue, hoje

Não eram simples covas africanas,nem mesmo de militares. Eram construções antigas, de tijolos, bem feitos, encimados por cruzes de madeira entalhada com os nomes e a data. A data. Pois embora fossem dois, a data era a mesma. Minha imaginação viajou, buscando a causa, descartando alguma doença. Acidente ou assassinato. Nomes europeus e femininos! E a data aumentou o mistério e minha curiosidade,pois eram de 1936! 36-Aug-29... Provavelmente europeias, vinda da antiga Niassalandia, depois Malawi. Eleonora Mirian Lizzi e Charlotte T.Elza. Seriam missionárias? Mas em 1936 mesmo homens brancos pouco se aventuravam por ali, a fundação da missão data de 1950!

Procurei informações a respeito sem nenhum resultado na época e em dias atuais com a facilidade dos meios eletrônicos, mas o mistério permanece. Pela foto do satélite, aparentemente, mesmo com a grande expansão desordenada do vilarejo o local dos túmulos foi poupado, vejam que existe uma pequena concentração de vegetação no local que me parece ser o dos dois túmulos. Quem sabe que com este artigo, surja finalmente algo a respeito dessas duas mulheres que involuntariamente passaram a fazer parte de um período importante de minha vida e que independente de qualquer informação complementar, certamente foram pessoas acima do comum pela simples constatação de seu local de repouso final.

Já se passaram 38 anos, (e 76 do sepultamento!) não sei se as cruzes ainda lá permanecem. Mas se o tempo já as consumiu,quem por lá passar poderá reconstruí-las. Eleonora à esquerda, Charlotte à direita. Nós três ficaremos gratos...




Atualização - De um historiador suíço, A.Z. recebi uma contribuição interessante a respeito:

"...é muito provável, que são túmulos da Missão Anglicana. Esta Missão chegou na região antes dos Portugueses. A partir dos anos 1880 a Missão tinha muitas escolas em muitos lugares no futuro lado português do lago. Também a Missão tinha navios, que regularmente paravam nas aldeias. Nos anos 1930 a Missão foi obrigada a fechar muitas destas escolas sob a pressão do governo português."

Após a saída forçada,continuaram em muitas missões nos países vizinhos,incluindo uma na vizinha ilha de Likoma, pertencente ao atual Malawi, que se pode avistar desde Cóbue. Teriam sidos os corpos recolhidos de um naufrágio? O lago Niassa muitas vezes se comporta como um mar, com ondas e tempestades violentas. Talvez na história dos Anglicanos esteja a resposta ao mistério...