Este blog tem o compromisso de não ser politicamente correto,de não se deixar levar na corrente ignara, não fazer coro às idiotices e sempre dar nomes aos bois. Minha atenção,hoje pela manhã, foi atraída por repetidas chamadas durante o programa Fala Brasil,da Record,sobre um suposto maníaco que filmava milhares de mulheres nas ruas,segundo as duas mocinhas estranhas que apresentam o tal noticiário. A princípio achei o“milhares”meio exagerado,daria para prender o tal maníaco uma centena de vezes em flagrante delito,com o olho na massa. “Um absurdo!”dizia a outra. Esperei pacientemente para ver o crime,que só foi ao ar no final do noticiário,prendendo a audiência,simples truque barato. Aparentemente as milhares de mulheres são algumas dezenas de jovens e o “crime”foi filmá-las em plena rua,em público,ou seja,filmar o que estava à vista de todos,embora algumas cenas com algum esforço,abaixando-se,esperando que subissem em escadas ou atravessassem uma passarela por exemplo,esforço infrutífero caso as vítimas estivessem vestidas pudicamente. Mas todas em exíguas minissaias,exibindo-se e sabendo-se vistas. Não se veste um trapinho de palmo e meio sobre uma minúscula calcinha inocentemente. Se sentem bem com o belo corpo insinuado? Ótimo,nós os homens agradecemos penhoradamente. E todos,homens babões e as mocinhas,ficam felizes. Qual o crime? Ofende as mocreias que se ressentem da falta de olhares masculinos? O que esperam de homens normais? Que fechem os olhos,que virem o rosto? Com a atual caça às bruxas contra os heterossexuais,não duvido que comecem a nos processar por olhar para nádegas em público! Quem filmou,filmou porque gostou,como filmaria uma paisagem agradável qualquer,compartilhou na Internet - que tem crimes verdadeiros que deveriam,estes sim, ser objeto das reportagens- e teve o cuidado em não mostrar nenhum rosto. Não configura crime e a polícia,sensatamente isso declarou,embora se continuar o sensacionalismo acabe sendo pressionada a intervir pelos verdadeiros maníacos das patrulhas de toda ordem,típico de países subdesenvolvidos culturalmente,tentando imitar,macacamente,países do primeiro mundo...Mas todos assistem as imagens,com os olhos esbugalhados e só depois de acabarem,ensaiam um ar sério e exclamam:que absurdo! Oras,deixem vocês de absurdos por falta de assunto,seus maníacos!
quinta-feira, 28 de abril de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Angola:o dia em que uma booby trap matou-me sem glória alguma...
A booby trap ou armadilha para tolos,como é conhecida sempre foi muito usada e aperfeiçoada na Segunda Guerra Mundial pelos alemães e também pelo vietcong,embora com menos sofisticação. Um objeto qualquer abandonado podia ser uma armadilha fatal para quem o descobrisse;um relógio,uma arma,um livro...Principalmente na área urbana,sempre consegue pegar desprevenido o soldado curioso,descuidado. No treinamento que recebi na Rhodesia para operações externas não convencionais,trabalhávamos com explosivo plástico e material simples,facilmente encontrado nas cidades,como prendedores de roupa e ratoeiras comuns,de mola. Com apenas esses dois elementos uma infinidade de armadilhas podiam ser feitas,que explodiam sob uma pressão qualquer,um puxar de gaveta,uma retirada de objeto,a abertura de uma caixa,um balanço,um giro,etc. Também havia métodos mais sofisticados,com temporizadores elétricos,baterias,mercúrio,tubos e esferas de aço. Acredito que uma booby trap,confeccionada com um tubo de vidro e esfera foi a que me matou em Angola,no ano de 1975...
O fato é muito interessante pelo que envolve de reação medular,reações em que alguma parte do cérebro assume o comando do corpo de maneira imediata,precisa,ditatorial e nos dirige enquanto permanecemos desligados da realidade. Tudo o que aconteceu ficou bloqueado em minha memória e fui recordá-lo anos depois,me surpreendendo por não ter tomado nenhuma providência para destruir o artefato explosivo ou alertado os companheiros para protegê-los. Mesmo quando descrevi no livro “A opção pela espada”a Batalha de Kifangondo,onde tudo ocorreu,este detalhe ficou de fora. Talvez agora,com a Internet,possa aparecer o antigo inimigo, autor do artefato que requereu certo conhecimento e treinamento para sua confecção e possamos trocar informações a respeito. Darei detalhes do local para que os envolvidos possam identificar-se com a ação.
Em missão de exploração por onde nossas tropas avançariam,atravessei a ponte do Panguila,a ponte de concreto em arco,sentido Caxito-Luanda e imediatamente dobrei à direita,protegido pelas primeiras edificações de alvenaria,à beira do asfalto. Cerca de 100 metros à direita destas,em direção ao oceano,havia uma cabana nativa isolada,feita de barro e coberta de palha,dominando todo o local. Batendo o terreno,corri curvado até ela com a G-3 em posição e a invadi,estava vazia. Ao sair,deparei-me com um chapéu de palha,grande,dependurado na parede,à direita da porta,à altura de meu rosto. Pensando em palhaçadas,inadvertidamente,como um recruta inexperiente,resolvi pegá-lo para colocar na cabeça,voltando com ele para a posição onde deixara o grupo abrigado...Preparado inconscientemente para o peso mínimo de um chapéu de palha,assim que o retirei do prego que o mantinha na parede recebi o choque,o gelo que me paralisou, de um peso de mais ou menos 2 quilos! Dois quilos de explosivos.Senti-me morto,aos 26 anos,estraçalhado por uma explosão tola,sem glória...Nesse instante algo me comandou e agi por reflexo,o tempo parou. Fui girando o chapéu na horizontal,na posição que se encontrava na parede,sem curvá-lo e lentamente a parte interna foi surgindo a um palmo de minha face. Uma lâmina de lata,tipo cobertura metálica de alumínio,cinza escuro,tapava toda a copa do chapéu,repleto de explosivo plástico,suponho eu. Uns dois quilos...Depois inverti o giro e delicadamente coloquei-o com precisão dependurado no prego,novamente. A partir dai tudo foi apagado,retornei normalmente,reuni-me ao grupo e a missão continuou,sem que eu lhes avisasse ou depois,já no ruido da batalha,destruisse com um tiro o perigoso artefato!
Somente passado vários anos me recordei desse episódio do qual sobrevivi provavelmente graças ao treinamento e conhecimentos armazenados no cérebro,que deram o alarme antes da consciência normal e comandaram minhas ações,não tendo nos momentos seguintes repassado o acontecimento à memória imediata,também ocupada pela intensidade do combate que se desenvolvia. Acredito que por não ter mudado o chapéu da posição original e o detonador não ter sido acionado,o mesmo deveria ser o de deslocamento de uma esfera de aço,colocado no interior de um tubo de vidro,tipo tubo de ensaio,fechado por uma rolha onde entrariam dois fios vindo de um dos pólos de uma pilha. Por milímetros ou graus de inclinação,a esfera não deslizou fechando o circuito,a armadilha não explodiu e hoje vocês podem se distrair com esse texto...
Brasileiros,levando o Deus cristão aos solavancos no andor do desespero...
Ao escrever sobre a pesquisa realizada pela Ipsos acerca da crença em um ser superior, usei a frase que dá título a esse texto. E ela permaneceu em minha mente durante todo o dia, porque exprimia sozinha, toda uma desgraça absoluta, me passava uma visão forte, colorida, latino americana de crença cega e inútil, levada pelo desespero da pobreza,da dor, do esquecimento, de abandono pelo poder público...
O andor do desespero é a Kombi velha,sem bancos atrás, com uma grávida agachada,segura pelo marido a caminho de algum hospital sujo,lotado e mal equipado... É a camionete 1971 sem placas, com carroceria de madeira e algumas tábuas servindo de bancos, na estrada de terra da periferia, levando crianças – também aos solavancos – para a escola sem carteiras, quente, com a professorinha cansada e assustada em sua epopeia diária para lá chegar... São trens de subúrbio sacolejando de madrugada, primeira etapa de mais duas ou três em coletivos, espremidos rumo ao trabalho esgotante e mal remunerado... É o ônibus da romaria com pneus carecas e poltronas remendadas com arame e que vai tombar na primeira curva, quando forem, apesar dos pesares, louvar o Deus cristão cujo peso durante todo o tempo em sua desgraça e luta pela sobrevivência, levam às costas, aos solavancos que o caminho provoca, no andor do desespero...
Deus ou deuses, cristão ou não, foram criados pelo próprio homem para servir de refúgio às suas incertezas, um ancoradouro virtual, impalpável, mas onipresente como último lance nesta travessia forçada em mar revolto, escuro, ignoto que é a vida, resultante de uma ligação aleatória de moléculas que nos dá uma inútil, confusa e dolorosa consciência transitória.
O Deus virtual dito onipotente e onipresente sobrepõe-se, aos olhos da massa, ao poder público, que disfarça e olha para outro lado quando o andor do desespero, aos solavancos passa; que cobrem d'Ele as desgraças...
Os Reis e Sacerdotes de outrora hoje denominam-se políticos e clero, cobertos pelas próprias bençãos divinas e que delas muito bem aproveitam. E o povo continua passando reto, direto por eles, em romaria, quando deveriam não pedir nem orar, mas exigir dos verdadeiros deuses responsáveis pela tragédia do dia a dia e que detém poder e têm o dever de serem onipresentes, lançando aos náufragos que nadam na direção do Nada, a boia da dignidade e qualidade de vida, pagas antecipadamente pelos impostos, eufemismo usado para designar o extorsivo aluguel cobrado para morarmos em nossa própria casa. Deus, instalado nas mentes, não precisa ser carregado; olhem para cima com olhos despidos de crença e descobrirão o quê realmente pesa neste andor carregado, quem nele se aboleta confortavelmente. Lancem-os ao solo e usem os paus do andor -e não orações- para cobrar os serviços pagos e não entregues.
terça-feira, 26 de abril de 2011
A pesquisa sobre crenças religiosas no mundo:Brasil no pódio da ignorância!
A Ipsos, empresa idônea de pesquisa de mercado,de origem francesa,realizou a pedido da Reuters uma pesquisa em 23 países acerca da crença em algum ser supremo. Foram ouvidas aproximadamente 18500 pessoas adultas e o resultado não poderia ser outro,um mapa da ignorância e fanatismo... Em primeiro lugar,como seria de esperar vem o maior país muçulmano do mundo,a Indonésia,que volta e meia queima igrejas cristãs e decapita os próprios muçulmanos considerados infiéis...Depois vem a Turquia,país com 95% de muçulmanos. Alá disparado na frente,alimentado pelo fanatismo crescente que avança à medida que o Ocidente recua e tolera,em nome da liberdade de culto. E correndo em terceiro,levando o Deus cristão aos solavancos no andor do desespero vem o latino Brasil,país onde o povo,uma massa crente com pouca ou nenhuma cultura, mistura e confunde tudo o que diz respeito às religiões,aproveitando as partes que considera vantajosas e fazendo-se de ouvidos moucos para o que for proibido ou castigo. No quesito crença na reencarnação,os espertos brasileiros já pulam para segundo,cabeça a cabeça com México e Hungria,tentando uma segunda chance,já que esta que se vive por aqui é um inferno!
Falando em Inferno,entre os que acreditam em vida após a morte,mas não em Paraíso ou Inferno,os violentos México,Rússia e Brasil lideram e estão no pódio nesta ordem,pelo sim pelo não abrindo mão do Paraíso mas se livrando do Satanás! Os países muçulmanos que lideram o ranking dos crentes em um ser superior,ficam fora desta dúvida,já que têm o tal paraíso garantido com as virgens e tudo o mais,incluindo criados, bebidas alcoólicas e almofadas de ouro. Alá é outra coisa...
Cerca de 18% dos entrevistados em todo o mundo declararam que não acreditam em baboseira nenhuma,tenha o nome que tiver e eles,na ponta oposta,carimbam o mapa da ignorância e pobreza do terceiro mundo com seu desenvolvimento e cultura:em primeiro França,segundo Suécia e Bélgica em terceiro,todos com quase 40% de descrentes,acabando com a esperança no tal se Deus quiser,vai dar certo. Lá eles trocaram por se o povo quiser e trabalhar,dará certo.
Ad libitum...
Cerca de 18% dos entrevistados em todo o mundo declararam que não acreditam em baboseira nenhuma,tenha o nome que tiver e eles,na ponta oposta,carimbam o mapa da ignorância e pobreza do terceiro mundo com seu desenvolvimento e cultura:em primeiro França,segundo Suécia e Bélgica em terceiro,todos com quase 40% de descrentes,acabando com a esperança no tal se Deus quiser,vai dar certo. Lá eles trocaram por se o povo quiser e trabalhar,dará certo.
Ad libitum...
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Portugal,25 de Abril de 1974,a Revolução dos "Bastardos duma Raça de Heróis"
Nada a comentar neste dia de luto,quando Portugal apunhalou pelas costas,sua própria História;o poeta Paço d'Arcos já resumiu de maneira suficiente,brilhante e definitiva:
25 de Abril de 1974
Duzentos capitães! Não os das caravelas
Não os heróis das descobertas e conquistas,
A Cruz de Cristo erguida sobre as velas
Como um altar
Que os nossos marinheiros levavam pelo mar
À terra inteira! (Ó esfera armilar, que fazes hoje tu nessa bandeira?)
Ó marujos do sonho e da aventura,
Ó soldados da nossa antiga glória,
Por vós o Tejo chora,
Por vós põe luto a nossa História!
Duzentos capitães! Não os de outrora…
Duzentos capitães destes de agora (pobres inconscientes)
Levando hílares, ufanos e contentes
A Pátria à sepultura,
Sem sequer se mostrarem compungidos
Como é o dever dos soldados vencidos.
Soldados que sem serem batidos
Abandonaram terras, armas e bandeiras,
Populações inteiras
Pretos, brancos, mestiços (milagre português da nossa raça)
Ao extermínio feroz da populaça.
Ó capitães traidores dum grande ideal
Que tendo herdado um Portugal
Longínquo e ilimitado como o mar
Cuja bandeira, a tremular,
Assinalava o infinito português
Sob a imensidade do céu,
Legais a vossos filhos um Portugal pigmeu,
Um Portugal em miniatura,
Um Portugal de escravos
Enterrado num caixão d’apodrecidos cravos!
Ó tristes capitães ufanos da derrota,
Ó herdeiros anões de Aljubarrota,
Para vossa vergonha e maldição
Vossos filhos mais tarde ocultarão
Os vossos apelidos d’ignomínia…
Ó bastardos duma raça de heróis,
Para vossa punição
Vossos filhos morrerão
Espanhóis!
O vermelho da bandeira portuguesa hoje, é o sangue derramado por heróis africanos e europeus em defesa de seus ideais,misturado com o rubor da vergonha de ter que abrigar,debaixo de seu tremular,os capitães de Abril e sua história de traição e covardia.
Os "feriadões",a manada e as porteiras
...A vida é apenas uma sombra ambulante,
um pobre cômico que se empavona e agita
por uma hora no palco,sem que seja,após,
ouvido;é uma história contada por idiotas,
cheia de fúria e muito barulho,que nada significa.
W. Shakespeare,Macbeth
Assistindo TV e vendo as notícias do feriadão de Páscoa...desde o abrir da porteira na quinta feira,até a volta,obedientes,em fila,diretos ao matadouro,mais gordos e satisfeitos...Vi a própria representação de meu livro “O infinito não tem pressa”,do ano 2000,de onde retirei esse texto adaptado para o blog,discorrendo sobre a Grande Manada nesta segunda feira de porteiras fechadas novamente... Qual a visão dessa manada,até onde vai o pensamento,o entendimento do mundo onde vivem? À primeira vista,tudo indica que é uma visão que não ultrapassa o veículo da frente ou a porta do escritório. Assustador é pensar que é essa massa que determina quem conduzirá a Sociedade,quem dominará nossas vidas,decidirá o certo ou errado e que pode em uma só canetada,nos transportar do Olimpo ao Inferno.
O Estado tornou-se,de protetor do cidadão,a um perigoso poder supremo cujo apanágio é manter-se nele a todo custo. E seu aliado não é quem produz,quem raciocina,quem pensa em condições reais de sobrevivência da espécie,não em termos imediatistas,enganadores. O aliado do poder e seu sustentáculo é a massa,o povão,a Grande Manada.
Resta aos animais ainda ligeiramente racionais e ameaçados de extinção, voltarem a ser Cidadãos-Estado,mantendo-se em guerra não declarada contra o monstro chamado Sociedade,dela se afastando por estar em minoria física,mas mantendo um comportamento tal que sirva de atração mútua a outros seres pensantes,para que possam se apoiar. Mas é isto o que pensam estar fazendo os intelectuais bem sucedidos e famosos,formadores de opinião... O que fazem é uma farsa dentro da Farsa. São os altamente egocêntricos membros do mundo acadêmico,sinônimo de mundo irreal,teórico,os políticos de esquerda,cultivadores da aparência,pois em sua superficialidade é necessário apenas “parecer”,os portadores de dúzias de diplomas e cursos que não são suficientes para lhes para suplantar a incompetência,os eternos desocupados e críticos -mas usuários- do Sistema,que se reúnem em suas mesinhas de chopp para desprezarem o próximo e veladamente disputarem entre si...É sempre necessário para eles,produtores e instigadores irresponsáveis dos rumos errados da Sociedade,aparentar cultura,aparentar um desleixo bem produzido,desprezo pelo dinheiro se desempregado contumaz...São meros bufões da manada. Uma classe especial,detectável até pela aparência física asquerosa e comportamento,são os patológicos defensores dos Direitos Humanos das minorias ou discriminados de toda espécie,econômicas,raciais, criminosos...Qualquer grupo ou indivíduo que os façam se sentir superiores são o objeto de sua adoração e defesa irracional, apaixonada. Dotados de um profundo sentimento de inferioridade, inseguros,desertam de seu grupo original e se unem aos que em verdade consideram inferiores,onde podem se pavonear e demonstrar sua magnanimidade. E isto fica claramente demonstrado pela fixação mórbida em defender o criminoso e sua família e nunca as vítimas dele!
O verdadeiro homem racional não está nesse meio,independe de títulos ou cultura;só é necessário um elemento cada vez mais raro:inteligência normal. Que conduzirá a uma visão clara do Grande Teatro Social. Se afastar da Sociedade não significa deixar de produzir,de criar,é fazê-los de forma não selvagem e cega,procurando encontrar um rumo que conduza à satisfação pessoal,sem mentiras para si,sem crenças absurdas que possam dar margem a um estoicismo criminoso...
Se afastar da Sociedade significa não acatar ideias ridículas somente porque provém de conhecidos sábios,que debaixo de grisalhos cabelos ,impecáveis ternos e gravatas,discutem suas teses amparados em versículos religiosos ou politicagem disfarçada de filosofia.
Se afastar da Sociedade é livrar-se da ilusão das grandes e cada vez mais desumanas cidades,desta busca incrível da manada em se espremer,se acotovelar,intercambiarem humores,gases,ruídos,suores...Visto assim fica estranho,não é?Pois é realmente estranho!É a torrente cega que impede o livre pensar,o arbítrio,o se ver de fora para dentro.
Na cidade ganha-se mais,tem mais empregos. Mas também se gasta mais,é necessário condução para longos deslocamentos,a competição é selvagem,os perigos maiores,o ar impuro. Um círculo onde o saldo é sempre baixo e o prêmio sonhado são alguns dias na praia ou no campo,isto é,longe da cidade...
Deduz-se então que a busca,afinal,não é somente pela tranquilidade,abrigo ou alimentação,conseguidas também à beira de um rio,num casebre;a busca da massa rude é o poder sobre os demais,numa tradução grosseira dos instintos animais de se pavonear diante das fêmeas e se impor aos mais fracos do bando. Numa impressionante demonstração de mediocridade todos se enganam,o gerente se julgando realizado e superior aos supervisores,esses aos chefes de seção,estes aos demais funcionários,esses aos desempregados,estes aos moradores de rua,esses aos gerentes que têm que trabalhar... As armas que ajudam a impor esta hierarquia são automóveis,casas,eletrônicos, relógios,joias,simples traduções dos artefatos e enfeites como os usados há milhares de anos pelos nativos ou os papos vermelhos estufados de certos pássaros.
O Brasil é imenso territorialmente,cada um pode ter seu país da maneira idealizada,sem se deixar arrastar pela torrente irracional. Ou continuar contando os dias e as horas para a próxima abertura das porteiras...
domingo, 24 de abril de 2011
Os Inconfidentes,o Comboio da Morte e o Toniquinho:o mito relembrado e os heróis esquecidos
Nas comemorações do dia de Tiradentes, várias homenagens foram feitas aos inconfidentes,sendo sepultados no Panteão, cerca de 200 anos após suas mortes, José de Resende Costa, João Dias da Mota e Domingos Vidal de Barbosa, trazidos de África para onde haviam sido degredados. Nossos pracinhas, enterrados em Pistoia, também vieram da Itália há muito. Não pude deixar de lembrar de cerca de uma centena de brasileiros esquecidos,que provavelmente ainda se encontram sepultados em solo africano, em Dakar, Senegal e Orã, na Argélia, já há quase 100 anos, jovens voluntários da Missão Médica Militar Brasileira que seguiram no vapor La Plata e do DNOG, Divisão Naval de Operações de Guerra, a contribuição de nosso país ao esforço de guerra aliado em 1918.
Nada encontrei acerca do destino dos restos desses brasileiros que passaram por terrível padecimento no comboio que, em 36 dias atravessou do Rio de Janeiro até Marselha, na França, prostrados em condições desumanas devido às febres causadas pelo vírus da gripe espanhola e outras doenças desconhecidas adquiridas numa escala em Freetown, na Serra Leoa e também as trazidas por recrutas senegaleses embarcados em Dakar. A participação brasileira na primeira guerra mundial foi um desastre, com material inadequado e sem a competente organização,um ato político irresponsável que lançou nossos homens numa acidentada travessia do Atlântico onde a tragédia da improvisação, privações e doenças ceifaram 110 vidas. Mas foi uma atuação real,de sacrifício, ao atender o chamado da pátria, diferente da Inconfidência, apenas uma representação atual, muito comum em todos os países, que recriam seus heróis para fins políticos. Os inconfidentes eram apenas um grupinho de proprietários abastados que queriam fugir de impostos e poetas sonhadores que pensaram e falaram demais e nunca chegaram a agir, sendo esmagados de forma cruel e desmedida pela coroa portuguesa como era de praxe na época. Nem mesmo nacionalistas eram, apenas uma revolta local visando benesses particulares...
Nada encontrei acerca do destino dos restos desses brasileiros que passaram por terrível padecimento no comboio que, em 36 dias atravessou do Rio de Janeiro até Marselha, na França, prostrados em condições desumanas devido às febres causadas pelo vírus da gripe espanhola e outras doenças desconhecidas adquiridas numa escala em Freetown, na Serra Leoa e também as trazidas por recrutas senegaleses embarcados em Dakar. A participação brasileira na primeira guerra mundial foi um desastre, com material inadequado e sem a competente organização,um ato político irresponsável que lançou nossos homens numa acidentada travessia do Atlântico onde a tragédia da improvisação, privações e doenças ceifaram 110 vidas. Mas foi uma atuação real,de sacrifício, ao atender o chamado da pátria, diferente da Inconfidência, apenas uma representação atual, muito comum em todos os países, que recriam seus heróis para fins políticos. Os inconfidentes eram apenas um grupinho de proprietários abastados que queriam fugir de impostos e poetas sonhadores que pensaram e falaram demais e nunca chegaram a agir, sendo esmagados de forma cruel e desmedida pela coroa portuguesa como era de praxe na época. Nem mesmo nacionalistas eram, apenas uma revolta local visando benesses particulares...
Infelizmente é apenas por isso que têm sido lembrado, embora mesmo a visita em 1949 do Presidente da República, Eurico Gaspar Dutra à cidade, tenha sido obra sua, amigo pessoal que era do General. Vamos encontrar o nosso conterrâneo até na viagem pré inaugural da aviação comercial no Brasil, a bordo do hidroavião alemão "D-1012", posteriormente batizado de Atlântico, realizado em 1º de Janeiro de 1927, comandado pelo Capitão von Clausebruch e como passageiro entre outros o Ministro dos Transportes Dr. Victor Konder, numa viagem de demonstração Rio-Florianópolis, Toniquinho como jornalista convidado. Participou também da Revolução Constitucionalista de 1932 ao lado do General Euclydes de Figueiredo. Foi autor de romances como Boçoroca, O Desembargador Ruival e de peças teatrais.
Mas nada,em sua produtiva e movimentada vida, supera a primeira grande aventura: com apenas 17 anos, era um dos 31 soldados voluntários do contingente de segurança da Missão Médica Militar Brasileira, embarcados no vapor La Plata,tendo participado e sobrevivido de corpo e mente, a essa dura prova que foi o Comboio da Morte. Mas companheiros seus, homens de semelhante fibra e potencialidade podem estar esquecidos sob as areias africanas, tolhidos em sacrifício no início de suas vidas,no cumprimento do dever de cidadão. O Brasil,que se crê entre os vencedores da Primeira Guerra Mundial, está entre os que mais perderam...
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Oxi,a velha nova droga...
O Oxi,tratado pela imprensa como nova droga,há mais de uma década já era utilizada nas áreas urbanas da nossa Amazônia,próximas ao centros produtores de cocaína. Na busca de mais lucro,de agregar valor aos resíduos da folha de coca,do refugo da produção de cocaína,foram surgindo a mescla,o crack,merla,e agora o conhecido por Oxi,que praticamente são a mesma coisa,só variando os produtos adicionados para sua composição,sua transformação em pedras,que sem maior necessidade de refino,podem ser vendidas por preço menor que a cocaína. A coloração do Oxi varia de acordo com a quantidade de querosene,gasolina ou cal usada,confundindo até a própria polícia,que provavelmente já há muito realiza apreensões no Sul/Sudeste do país mas registra como Crack,o que em verdade é irrelevante. O nome Oxi seria devido ao fato que na confecção da droga,se oxidam os componentes da coca e somando-se ao seu efeito devastador estão os elementos usados - gasolina,querosene,cal virgem - que por si só,se ingeridos ou inalados causam graves danos à saúde. Queimado,produz fumaça escura devido ao combustível usado ao contrário da fumaça clara do Crack. O Oxi tem duas vantagens para produtor : os aditivos usados são baratos e encontrados no comercio sem nenhuma restrição de compra e os efeitos de euforia da droga só acontecem durante o tempo que está sendo fumado,nenhum segundo a mais,ou seja,intervalos menores entre as vendas de seu produto. Embora o freguês morra mais rápido,é rapidamente substituído por outros jovens adolescentes,num fornecimento contínuo,já que a repressão,orientação e interesse por parte do governo brasileiro é mínimo,apenas o suficiente para não alarmar os organismos internacionais de combate à droga;afinal,nossos governantes esquerdistas tem entre seus pares,notórios defensores da liberação das drogas,além de fortes vínculos com os narcotraficantes das FARC... Eu seria sem dúvida favorável à liberação das drogas,pois,já que não se realiza o necessário controle da natalidade,em busca de melhor qualidade de vida,pelo menos haveria uma seleção natural,exterminando os fracos através da morte prematura e restando os indivíduos de maior personalidade,impermeáveis ao apelo covarde das drogas. Mas infelizmente as drogas não são grátis e drogados geralmente não produzem dinheiro para comprá-la através do trabalho;em consequência,vêm os roubos, latrocínios, corrupção, prostituição, violência aparentemente gratuita, todos os males que nos assolam atualmente. Com o caos generalizado,mais é preciso a tutela do governo e quanto mais forte o governo omisso,mais o comparsa traficante se fortalece e quebra a vontade do povo,num ciclo contínuo que leva a perpetuação de uma ditadura bandida,travestida de popular,uma filial do Inferno na América Latina,chamado Brasil...
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Macaco à moda da casa:o comportamento ecologicamente correto e...a fome!
Deixando as histórias de África para outra ocasião,também aqui no Brasil,na Amazônia,como piloto de helicópteros,garimpeiro ou simples aventureiro curioso já comi praticamente todos os tipos de seres vivos,répteis,anfíbios,rastejantes,galopantes ou repugnantes...Alguns cozidos,outros assados e alguns vivos e esperneantes... É comum nos acampamentos de qualquer atividade na selva o cozinheiro caçar para melhorar o cardápio,geralmente constituído de latas de conserva e carne seca. De fato,proibido ou não,é prática comum e que ajuda muito a moral de trabalhadores em condições difíceis num ambiente hostil. As fotos que acompanham esse texto foram feitas na década de 90,na fronteira Brasil e Peru quando,como piloto de um Bell 206-Jet Ranger III,ajudava na remarcação dos nossos limites territoriais,aferindo os antigos marcos do legendário Marechal Rondon. Nesta ocasião comi um macaco,saboreando o pobre animal e elogiando o cozinheiro pelo tempero com toda a sinceridade,pois recordava-me da última vez que comera tal prato ecologicamente incorreto,na década de 80, nas terras dos Waiãpi,serra do Tumucumaque,na divisa com a Guiana Francesa:
...depois de um dia inteiro em uma lancha voadeira no complicado rio Jacaré,cheio de troncos derrubados em seu curso, dormi na aldeia principal seguindo pela manhã para o escondido e proibido garimpo dos índios,distante dois dias de caminhada no passo dos nativos,uma espécie de corridinha curta seguida de alguns passos normais. Até que rende bem e não é cansativo e eu era bem mais jovem. Assim fomos durante todo o dia sem parada para comer,apenas bebendo rapidamente nos igarapés que cruzávamos. Perto do entardecer paramos e começaram a preparar o acampamento,ou seja,apenas limpar superficialmente um pedaço de chão para a fogueira e pendurar as redes ao redor. Saíram de imediato para buscar alguma comida -eu absolutamente faminto- com seus arcos,flechas e espingardas de chumbo grosso. Outros foram buscar água -sempre acampam perto de riachos- e puseram uma velha lata de 20 litros na fogueira. Em poucos minutos ouvi um tiro e uma grande algazarra na selva,gritos humanos e de macacos. Tive a infeliz ideia de ir até lá...
Os indígenas haviam derrubado um macaco aranha com um tiro que só lhe ferira e se divertiam em arrastá-lo debaixo de pancadas para acabar de matá-lo. O pobre animal,quando puxado pela cauda procurava se agarrar nas raízes e se defendia das pauladas como um humano,com as mãos sobre a cabeça,encolhido,cercado pelos selvagens que usavam apenas uma tanga vermelha,o pirã,que distingue sua tribo. Quando cheguei,o macaco,como se entendesse ver em mim a salvação,olhou diretamente para meus olhos e manteve,com um ar suplicante... Nada poderia fazer naquela situação ou eu é que seria o alvo das pancadas e constrangido desviei o olhar e retornei ao acampamento. Mas a cena triste,cruel,que jamais esqueci não falou mais alto que minha fome. Sentado em minha rede,aguardava o jantar. Partiram o macaco em vários pedaços pequenos sem tirar o couro e os jogaram dentro da lata com a água já fervendo. Muito bom,pensei otimista ao ver a espuma que logo se formou na superfície da água,borbulhando,cheia de sujeira e parasitos do pelo:irão aferventar para desinfetar o bicho e depois tiram o pelo e refogam,já imaginando alguma cebola e óleo surgindo milagrosamente.Mas alguns minutos depois -nem mesmo um salzinho surgira- despejaram a água e sem cerimônias todos começaram a se servir,estava pronto!
Comi,procurando não sentir o cheio nauseabundo,arrancando o espumante couro com a boca e cuspindo,como faziam meus anfitriões. E logo agarrei mais um pedaço,antes que acabasse...
quarta-feira, 20 de abril de 2011
A molecagem da França-Sarkozy e seu bullying contra nações pequeninas
Com 56 anos,filho de imigrante húngaro,estatura pequena,demostra comportamento adulador e servil aos mais fortes e altos que ele,embora em público procure,com gestos estudados e acessórios artificiais,igualá-los em altura e demostrar sua suposta força,com exibicionismos desnecessários.Um fato aleatório mas determinante em sua formação psíquica- é o segundo filho de três-o filho do meio,muito estudado por suas frequentes alterações comportamentais e um ascendente com nobreza adquirida em combate contribuíram para deformações de caráter em busca de se destacar e conseguir seu lugar em meio aos irmãos-países,pois a França também se incomoda com o cerco geográfico da Alemanha e Inglaterra que a impedem de brilhar mais. Temos,outrossim, a indisfarçável tentativa de reconquista da nobreza perdida no tempo – e o retorno da França como determinadora dos destinos da Europa – mas não através da política e sim da espada,como seu antepassado nas guerras húngaras contra os turcos,no distante século XVII. Apesar do passado heroico,quando chegou a vez da família contemporânea de Sarkozy lutar,com a invasão da Hungria pelos soviéticos em 1944,seu pai foge através da Europa – ao mesmo tempo que a França fujona precisava da ajuda dos EUA para deixar de apanhar da irmã Alemanha – e sem nobreza e dinheiro alista-se na Legião Estrangeira. Treinado na Argélia,Sarkozy pai,quando finalmente vai ser enviado ao combate,consegue uma dispensa médica e sai da Legião,sem acrescentar glória à família – que fará com que,mais tarde, o petit Nicolas continue a eterna busca- e fica na França,onde se casa com uma judia sefardita. Desta união nascerá nosso paciente,filho de um apátrida,que os abandonaria quatro anos depois. Com a família incompleta,o pequeno Nicolas sentia-se desprezado pelos demais,como a França no pós guerra,humilhada em ter que pedir ajuda ao grandão EUA...
Declaração de campanha política ou não,Sarkozy diria mais tarde:"O que me fez o que sou agora foi a soma de todas as humilhações sofridas na infância." Para ele,significando pessoa forte,um líder;para a psiquiatria,um indivíduo perigoso,esmagado por um complexo de inferioridade em busca de autoafirmação, como a França deslocando desnecessariamente seu enorme porta aviões nuclear Charles de Gaulle para a piscina do Mediterrâneo,para confrontar a sucateada Marinha de Kadafi,com duas pequenas embarcações operacionais e um submarino velho. Chefes de Estado ou não,nações ou não,homens e países são estruturas sensíveis e falhas e pequenos fatores podem desencadear tempestades comportamentais. Aí apareceram Carla Bruni e Obama...O pequeno Sarkozy,do alto de seus1.65m sente a humilhação voltar;a França,proprietária da liberdade e fraternidade,anteriormente feliz com o comportamento sempre agressivo e criticado do imperialismo americano – ele é grande mas é mau,eu sou pequena mas boazinha- em lágrimas de inveja vê os EUA,na pessoa de Obama,ser festejado mundo afora como símbolo de suas prerrogativas de liberdade,fraternidade! E Obama,além de alto,não é nobre e é negro! Sarkozy-França entram em crise e colocam para fora seu verdadeiro eu agressivo,recalcado,racista,bairrista,tribalista e todos os istas demais. Resultado:agridem quem está por perto,no caso a fraca Líbia – e o alto Kadafi - com uso excessivo de força,prolongando uma pequena escaramuça,transformando-a em guerra civil e aumentando o número de mortes;com isso provocam uma imensa onda de refugiados para a Itália – do galanteador Berlusconi,e da alta Carla Bruni. A Itália concede vistos para eles e a França simplesmente bloqueia o fluxo de trens para impedi-los de entrar em seu território! Coisa de moleque,coisa de Sarkozy,que também é filho de imigrante,de refugiado,como a própria França de De Gaulle,refugiada na Inglaterra durante a segunda guerra mundial...Complexos e recalques vindo à tona! Interpretando o silêncio das nações perante seu bullying mundial como fraqueza,França-Sarkozy comportam-se como qualquer outro moleque,ao notar que os adultos se calam e não impõem limites: partem para a malvadeza gratuita,descontrolada. Agora expulsam os ciganos do território francês e que se danem os países vizinhos;despejam tropas na Costa do Marfim para ajudar rebeldes,atacam por todas as formas previstas em lei ou as criam, para purificar a raça,impedindo a imigração e,querendo se impor como potência,declaram unilateralmente que a Líbia não tem futuro com Kadafi e ameaçam bater mais...
Tudo indica que nossos pacientes França-Sarkozy sofrem de um perigoso caso de impotência psicológica. A psiquiatra ONU só tem dois caminhos: ou continuar, criminosamente lhes fornecendo o Viagra da omissão ou capá-los antes que,do bullying partam para o estupro!
Assinar:
Postagens (Atom)